Perspectivas da economia no novo
governo causa euforia na bolsa
O primeiro pregão de 2019 foi marcado pela euforia na bolsa doméstica, que operou nesta quarta-feira ( 2), descolada do exterior com as perspectivas positivas para a economia no governo Jair Bolsonaro e renovou a máxima histórica de fechamento, acima dos inéditos 91 mil pontos. O principal condutor do otimismo no mercado acionário doméstico foi o fechamento de apoio da bancada do PSL, partido de Bolsonaro, à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para o comando da Câmara dos Deputados. As sinalizações em relação ao encaminhamento da reforma da Previdência no Congresso e à agenda de privatizações foram outros fatores a impulsionarem o Ibovespa, que encerrou em alta de 3,56%, aos 91.012,31 pontos, superando o recorde de fechamento alcançado em 3 de dezembro de 2018 (89.820,09 pontos) Na máxima intraday, o índice atingiu os 91.478,84 pontos (+4,09%). O volume negociado foi de R$ 17 bilhões. As ações dos principais bancos tiveram altas expressivas, acima de 4%, enquanto as da Petrobras avançaram até 6%. O destaque foram as ações da Eletrobras, com altas de 20,72% (ON) e 14,52% (PNB).


Otimismo doméstico derruba dólar
Ditado por um otimismo doméstico, o dólar operou na maior parte desta quarta-feira descolado dos pares emergentes e fechou cotado a R$ 3,8046, em queda de 1,83%, no menor patamar desde 21 de novembro. Lá fora, o dólar operou valorizado ante a maior parte dos emergentes, com exceção do peso mexicano e do rublo russo. Ajuda os países exportadores de commodities a alta acima de 2% do preço futuro do barril de petróleo. O maior impulsionador do real, no entanto, é o bom humor interno em relação às expectativas para a economia com o governo Bolsonaro. "Existe uma renovação de expectativas, um otimismo maior sobretudo em relação à possibilidade de avanço na reforma da Previdência", aponta o economista-chefe da Guide Investimentos, Victor Candido


Dia de baixa das taxas futuras de juros
A primeira sessão de negócios de 2019 foi de baixa das taxas futuras de juros em toda a curva, resultado de um conjunto de fatores domésticos, relacionados sobretudo à expectativa com o novo governo. A liquidez nesta quarta-feira foi reduzida durante todo o dia - o que chegou a favorecer a elevação dos prêmios no início dos negócios - mas a visão otimista quanto ao andamento de reformas estruturais acabou por consolidar o viés de baixa final. No fechamento da sessão regular na B3, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2020 ficou em 6,45%, na mínima do dia, ante 6,55% do ajuste de 28 de dezembro. O DI para janeiro de 2021 projetou 7,22%, ante 7,36% do ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2023 ficou com 8,39%, de 8,53% Na sessão estendida, os vencimentos de 2021 e 2023 reduziram mais os prêmios, para 7,19% e 8,36%, nesta ordem.

Valor do salário mínimo também influenciou
O principal evento do período da tarde foi a cerimônia de transmissão de cargo ao ministro da Economia, Paulo Guedes, cujo discurso não teve influência sobre os negócios, a não ser por reforçar conceitos da nova administração. Guedes atacou a questão do excesso de gastos públicos e voltou a priorizar as reformas da Previdência e Tributária, além de um programa de privatizações. Para Josian Teixeira, diretor da Lifetime Asset, um dos pontos que influenciaram o mercado foi o decreto presidencial fixando o valor do salário mínimo em R$ 998, abaixo dos R$ 1.006 aprovados pelo Congresso. "A fixação de um valor um pouco menor que o projetado significa menor pressão sobre a inflação, que já está confortável. Com isso, a chance de elevação de juros no segundo semestre diminui", disse.

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