O mercado de ações se mostrou disposto a retomar o otimismo com a reforma da Previdência e a quinta-feira (4) foi de alta firme do Índice Bovespa. O indicador terminou o dia aos 96.313,06 pontos, com ganho de 1,93%. Com isso, compensou a queda de 0,94% registrada na véspera, provocada justamente pela tensão em torno da reforma. O mal-estar gerado inicialmente pelos embates na CCJ da Câmara foi convertido em confiança, reforçada pelos acenos de apoio à reforma feitos pelo DEM e pelo PSDB. Embora as bolsas de Nova York tenham voltado a apresentar desempenho fraco, a melhora da percepção política manteve o Ibovespa em alta. Na máxima do dia o índice marcou 96.394 pontos (+2,01%).

Moeda americana fecha quinta-feira em baixa

O dólar teve dia de queda e fechou em baixa de 0,54%, a R$ 3,8571. Profissionais do mercado de câmbio relataram entrada forte de fluxo de recursos do exterior, que ajudou a retirar pressão no real em dia que a moeda americana subiu ante divisas fortes e de alguns emergentes, como a Rússia e a Argentina. Também contribuiu para a desvalorização a decisão de Jair Bolsonaro de se reunir nesta quinta-feira com presidentes e líderes de sete partidos. Pela manhã, o mercado ficou mais estressado e o dólar chegou a superar R$ 3,88, com os agentes ainda repercutindo a participação tumultuada do ministro da Economia, Paulo Guedes, na quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Juros futuros registram leve baixa


As reuniões entre o presidente Jair Bolsonaro e presidentes de vários partidos nesta quinta colocaram os juros futuros em leve baixa durante à tarde, após passarem a manhã em alta moderada. Nenhum dos líderes formalizou apoio à reforma, mas o mercado viu uma boa disposição ao diálogo dos políticos com Bolsonaro. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a sessão regular em 6,500%, de 6,516% na quarta no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 terminou em 7,06%, estável ante o ajuste de quarta. A taxa do DI para janeiro de 2023 caiu de 8,212% para 8,18% e o DI para janeiro de 2025 passou de 8,762% para 8,70%.

Taxas têm limite estreito para cair

"O mercado melhorou porque as reuniões (de Bolsonaro) hoje (quinta) foram boas. Além do mais, na quarta o mercado exagerou, pois era natural que houvesse algum atrito", disse Rogério Braga, diretor de Gestão de Renda Fixa e Multimercados da Quantitas Asset. Ele pondera, entretanto, que, dadas as recentes turbulências, as taxas têm um limite estreito para cair enquanto não houver algo de mais concreto sobre a Previdência. "O mercado não está querendo antecipar mais muito otimismo", disse, o que explica o desempenho até tímido os juros nesta quinta em relação ao que se viu na Bolsa e no câmbio.

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