Ibovespa sobe 0,40% com noticiário corporativo
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quarta-feira, 24 de julho de 2019
Agência Estado 
O noticiário corporativo foi destaque no mercado acionário e deu um pequeno fôlego de alta para o Índice Bovespa, que reconquistou o patamar dos 104 mil pontos. Cielo e BR Distribuidora foram as estrelas do pregão, que contou também com o bom desempenho de algumas das ações do setor financeiro. O anúncio da liberação de saques de recursos do FGTS teve efeito restrito a ações de consumo, mais afetadas pela injeção de recursos na economia. Ao final dos negócios, o Ibovespa marcou 104.119,54 pontos, com ganho de 0,40%.
A alta de 12,89% das ações da Cielo foi a surpresa do dia, uma vez que o resultado trimestral da companhia foi considerado fraco. Na visão de analistas ouvidos pelo Broadcast, a alta levou em conta fatores técnicos e algumas apostas na recuperação da empresa no futuro, com repercussão mais otimista das declarações do presidente da companhia, Paulo Caffarelli.
Segundo análise da Eleven Financial, a Cielo entregou no segundo trimestre mais um conjunto de resultados "ladeira abaixo", mas já sinaliza os primeiros sinais de alívio com sua estratégia mais agressiva à concorrência.
No caso de BR Distribuidora ON (+1,19%), a valorização refletiu a venda do controle da empresa em oferta secundária, tirando a Petrobras da posição de acionista majoritária. Para Pedro Galdi, analista da Mirae, o bom desempenho dos papéis da distribuidora mostra que o investidor se anima com a expectativa de nova governança da empresa, tornando-a mais competitiva. Além disso, a venda vai na linha do plano de desinvestimentos da Petrobras. Os papeis ordinários e preferenciais da estatal, no entanto, seguiram a queda dos preços do petróleo e perderam 0,83% e 0,62%, respectivamente.
Rafael Bevilacqua, estrategista da Levante Ideias de Investimento, chama a atenção para o bom desempenho das ações do setor financeiro, que, segundo ele, estão muito "descontadas", em um mercado onde diversos papéis estão "esticados" demais. Hoje, os destaques foram Bradesco ON e PN, que avançaram 1,83% e 1,88%, e Banco do Brasil ON, que avançou 1,81%.
O Iconsumo (ICON) teve alta de 0,54%, levemente acima da média do Ibovespa. Para analistas ouvidos pelo Broadcast, a avaliação é que a liberação de saques do FGTS é positiva, mas de impacto bastante limitado, em um ambiente de expectativa por reformas. Além disso, a medida oficializada hoje já havia sido antecipada no mercado. Magazine Luiza ON subiu 1,57%.
Dólar
O dólar operou em queda durante toda a quarta-feira, mas não conseguiu sustentar na tarde de hoje o ritmo de baixa observado pela manhã, quando chegou a recuar para R$ 3,75. No encerramento do pregão, fechou com leve redução de 0,09%, a R$ 3,7693. Com o Congresso em recesso, o mercado local novamente operou em linha com os movimentos da moeda americana no exterior, dia em que cresceu o otimismo dos investidores com as negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos, que devem ser retomadas na semana que vem. Operadores também reportaram entrada de recursos externos para ofertas de ações. Já a expectativa por eventos dos próximos dias, que inclui a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), amanhã, contribuiu para deixar os investidores cautelosos.
O destaque hoje foi a nova queda do Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, um termômetro do risco-país. No final da tarde, o contrato estava em 124,18 pontos, ante 127 pontos do fechamento de ontem, de acordo com cotações da Markit. O governo anunciou medidas de saque de recursos do FGTS para estimular a economia, mas como já haviam sido antecipadas nos últimos dias, não tiveram impacto no câmbio. Neste momento, o foco maior do mercado cambial é a reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na semana que vem, a do BCE amanhã e ainda a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA na sexta-feira Há ainda a reunião do Banco Central brasileiro, na semana que vem.
"O mercado está em modo de espera", afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo. Além dos eventos internacionais, que podem afetar o mercado de moedas de vários países, ele ressalta que os investidores também aguardam a volta do Congresso, e o início das discussões da reforma da Previdência e também da tributária. Essa expectativa aliada ao recesso no Congresso e as férias aqui e lá fora reduziu o ritmo de negócios.
No mercado internacional, o dólar caiu pela manhã, refletindo a divulgação do índice dos gerentes de compra (PMI) industrial dos EUA, que recuou para o menor nível em quase dez anos. Os estrategistas do JPMorgan observam que os PMIs de outros países desenvolvidos também vieram fracos, realimentando preocupações com a desaceleração da economia mundial. Na parte da tarde, o dólar zerou a queda e passou a subir ante a maioria dos emergentes, como Colômbia, Rússia e Indonésia, enquanto os investidores aguardam a reunião do BCE, que deve sinalizar corte de juros e medidas de estímulos adicionais.
Juros
Em um pregão morno e de liquidez reduzida, os juros futuros pouco se mexeram e encerraram a sessão regular entre estabilidade e leve queda. Segundo operadores, após o realinhamento das taxas ontem, desencadeado pelo IPCA-15 de julho e pela antecipação das regras de saques do FGTS (anunciadas oficialmente hoje), houve um processo natural de acomodação.
Na parte mais curta da curva a termo, houve uma consolidação da aposta majoritária em corte da taxa Selic em 0,50 ponto porcentual, para 6% ao ano, no encontro do Copom na semana que vem (dias 30 e 31). Na parte mais longa, houve uma pequena redução de prêmios, em sintonia com a perspectiva de afrouxamento monetário na Zona do Euro, com reunião do Banco Central Europeu (BCE) amanhã, e nos Estados Unidos.
A taxa do contrato do DI para janeiro de 2010 - principal veículo para apostas sobre o nível da Selic no fim deste ano - encerrou o pregão a 5,585%, ante 5,593% no ajuste de ontem. Na parte intermediária da curva, o contrato com vencimento em janeiro de 2021 fechou estável em 5,41%, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2023 recuou de 6,31% para 6,27%. Entre os longos, mais ligados à percepção de risco e ao ambiente externo, o DI para janeiro de 2025 passou de 6,87% para 6,83%.
O governo divulgou as novas regras de saques de FGTS no leilão de fechamento do mercado de juros futuros, mas as taxas não reagiram, dado que não houve surpresas. Como adiantado pelo Broadcast/Estadão, será possível sacar, neste primeiro momento, R$ 500 por conta. A projeção é de injeção de R$ 30 bilhões na economia neste ano - R$ 28 bilhões do FGTS e R$ 2 bilhões do PIS/Pasep. Para 2020, quando haverá a opção do "saque aniversário", a liberação adicional de recursos do FGTS é estimada em R$ 12 bilhões.
Após o fechamento desta quarta-feira, as taxas futuras seguem refletindo, como observado ontem, cerca de 70% de chances de redução da Selic em 0,50 ponto porcentual. Trata-se de uma mudança expressiva em relação à primeira semana de julho, quando predominava a aposta em corte de 0,25 ponto.
Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Carlos Thadeu de Freitas, a migração do mercado para um corte maior está ancorada em uma lista de argumentos fortes, que vão desde a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara até o quadro de inflação benigno e de atividade econômica muito enfraquecida
"O BC atrelou o corte de juros a um evento, que era a aprovação da Previdência. Não faz sentido agora ser gradual e cortar apenas 0,25 ponto. A não ser que o BC force a barra e diga que a reforma ainda precisa passar pelo Senado", diz o economista, ressaltando que, além dos fatores domésticos, o ambiente externo também é favorável, já que haverá um "corte de juros também nas economias centrais".
Freitas trabalha com um ciclo de afrouxamento monetário de 1,50 ponto porcentual, com três cortes seguidos de 0,50 ponto, o que levaria a taxa Selic a 5%. Para o economista, faria até sentido adotar uma postura mais agressiva e encurtar o ciclo, com uma redução já de 0,75 ponto porcentual. "No limite, poderia ser tudo de uma vez só. Mas talvez o país não esteja pronto para um choque de juros. Então, tem que ser em duas ou três vezes", diz o economista.


