Ibovespa renova recorde e dólar cai ao menor nível desde novembro
Alívio geopolítico, rotação global de capitais e diferencial de juros impulsionam bolsa brasileira e fortalecem o real
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Alívio geopolítico, rotação global de capitais e diferencial de juros impulsionam bolsa brasileira e fortalecem o real

O Ibovespa B3 fechou esta quinta-feira (22) em nova máxima histórica pelo terceiro pregão consecutivo. O principal índice da bolsa brasileira subiu 2,20% e encerrou o dia aos 175.589,35 pontos, acumulando valorização próxima de 9% em 2026. No intradia, o índice chegou a tocar 177.741,56 pontos, em meio a um ambiente global mais favorável aos ativos de risco. As informações são do site Bora Investir, da B3; e do MoneyTimes.
O movimento foi sustentado por dois vetores principais: o alívio nas tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e a continuidade da rotação global de recursos para fora dos mercados norte-americanos, o chamado Sell America. A mudança de tom do presidente Donald Trump em relação à Groenlândia — ao afirmar que não usará força militar e sinalizar a suspensão de tarifas contra países europeus — reduziu a aversão ao risco e melhorou o humor dos investidores.
Nesse contexto, o câmbio teve papel central no pregão. O dólar comercial recuou 0,67%, a R$ 5,28, o menor nível desde novembro, refletindo não apenas a melhora no apetite ao risco, mas também fatores estruturais que seguem pressionando a moeda americana no cenário internacional. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, como euro e libra, caía cerca de 0,40%, caminhando para um dos fechamentos mais baixos do ano.
Os dados econômicos dos Estados Unidos ajudaram a calibrar expectativas. O PCE, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, subiu 0,2% em novembro e 2,8% em 12 meses, dentro das projeções. Já o PIB americano avançou 4,4% em taxa anualizada no terceiro trimestre de 2025, confirmando a resiliência da economia. Mesmo assim, o mercado manteve as apostas de que o Fed deve manter os juros na faixa de 3,50% a 3,75% na próxima reunião, com expectativa de retomada do ciclo de cortes apenas a partir de junho.
Para o Brasil, o enfraquecimento global do dólar se combina a um fator doméstico relevante: o diferencial de juros. Com a Selic em 15% ao ano, o país segue entre os mercados emergentes mais atrativos para operações de carry trade. Esse tipo de estratégia, em que investidores tomam recursos em moedas de juros baixos e aplicam em países com taxas elevadas, aumenta a entrada de capital estrangeiro e reforça a valorização do real.
Na B3, o volume financeiro foi expressivo, com R$ 44,3 bilhões negociados. Entre as maiores altas do dia estiveram Cogna (COGN3), Vivara (VIVA3), Rede D’Or (RDOR3), Banco do Brasil (BBAS3) e Telefônica Brasil (VIVT3). Na ponta negativa, apareceram papéis como Raia Drogasil (RADL3) e empresas ligadas ao setor de petróleo, pressionadas pela queda do preço do barril no mercado internacional.
O movimento brasileiro acompanhou o exterior. Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,63%, o S&P 500 avançou 0,55% e o Nasdaq ganhou 0,91%, reforçando o clima de otimismo global.
Com o fluxo estrangeiro retomando força e o real se beneficiando do diferencial de juros e da rotação global, o mercado local entra em 2026 com viés positivo. A manutenção desse cenário dependerá, sobretudo, do ambiente externo e da capacidade de o Brasil preservar a atratividade de seus ativos diante de um mundo ainda marcado por incertezas geopolíticas e ajustes na política monetária.


Da Redação
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