Ibovespa fecha na máxima aos 85.530,83 pontos, em alta de 2,21%
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sábado, 27 de janeiro de 2018
Agência Estado 
São Paulo - Em mais um dia de forte valorização, o Ibovespa firmou-se no novo patamar histórico dos 85 mil pontos na sexta-feira (26), impulsionado pela força das blue chips e em linha com a trajetória de seus pares no exterior. No primeiro pregão após a condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o índice à vista fechou na máxima, aos 85.530,83 pontos, e alta de 2,21%. Com isso, acumula ganhos de 5,31% na semana de apenas quatro dias de pregão.
O volume financeiro, de R$ 16 bilhões, foi o dobro da média do mês e, segundo Aldo Muniz Filho, analista da Um Investimentos, mostra que quem apostou na ponta de venda antes do julgamento virou a mão e quem estava fora dos negócios da Bolsa acabou entrando.
O fluxo dos investidores não residentes, que fizeram a diferença para impulsionar o Ibovespa durante todo este mês, se manteve firme. Tanto que as ações preferidas, tanto da Petrobras quanto do setor financeiro, figuraram entre as maiores altas do pregão.
Também contribuiu para o forte movimento de alta do Ibovespa, principalmente na primeira etapa do pregão, uma equalização entre as ADRs negociadas no exterior e suas respectivas no mercado doméstico, uma vez que na quinta-feira (25) não houve negócios por causa do feriado pelo aniversário da cidade de São Paulo.
Para Filho, houve um mix de notícias domésticas favoráveis ainda no contexto de um cenário externo benigno. Segundo ele, dados do Caged sobre desemprego foram menores na comparação aos dois anos anteriores, as perspectivas de déficit fiscal estão abaixo do projetado, e houve aumento da pena para o ex-presidente Lula, o que dificulta suas chances de voltar a ocupar o Palácio do Planalto. Na leitura dos agentes de mercado, aumentam as possibilidades para um candidato com pensamento alinhado com o ajuste das contas públicas.
Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial, ressalta que também as ações de setores ligadas à economia doméstica tiveram boa performance, como nas companhias de consumo, varejo e infraestrutura. Esse desempenho acompanha o cenário de redução da taxa básica de juros e da atividade econômica mais forte.
DÓLAR EM QUEDA
Após ter chegado ao menor patamar desde 4 de outubro no pregão anterior, o dólar à vista fechou em leve baixa, mantendo-se na casa dos R$ 3,13, apesar da queda expressiva da divisa americana no exterior. Na semana, o dólar caiu 1,95%, principalmente por causa da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância, na quarta-feira, o que em tese inviabiliza os planos do petista de retornar ao Palácio do Planalto.
À exceção do câmbio, o mercado doméstico continuou reagindo nesta sessão com euforia à derrota de Lula no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), onde foi condenado por unanimidade e teve a pena por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá aumentada a 12 anos e um mês de prisão. "O dólar passou apenas um ajuste nesta sexta-feira, depois da queda livre dos últimos dias", comentou Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset.
Na quinta-feira, o dólar à vista negociado em outras praças do País fechou em baixa de 1,08%, aos R$ 3,1390, enquanto os mercados futuros ficaram fechados por causa do feriado de aniversário da cidade de São Paulo (464 anos). O valor foi o mais baixo de fechamento desde 4 de outubro de 2017, quando a moeda americana à vista encerrou aos R$ 3,1328.
Para José Raymundo Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, o fato de o dólar ter chegado aos R$ 3,12 na mínima intraday, no início dos negócios, atraiu compradores, o que levou a moeda a subir ao nível de R$ 3,15 durante a sessão. "Mas, mesmo que haja alguma recuperação no curto prazo, a tendência para o dólar continua sendo de queda. Comparando-se o risco Brasil com commodities e outras moedas ligadas a commodities, o dólar ainda está caro ante o real", afirmou Faria Júnior, que vê a moeda americana caindo em direção aos R$ 3,10 ou R$ 3,05.
O real também tem se beneficiado do cenário externo favorável, com a alta liquidez mundial e a recuperação das commodities.
No exterior, o dólar se enfraqueceu ainda mais em relação a outras moedas principais e renovou mínimas ante o iene, com os investidores de olho na questão imigratória nos Estados Unidos, que pode resultar em uma nova paralisação do governo de Donald Trump caso não haja um acordo entre republicanos e democratas até 8 de fevereiro.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,02%, a R$ 3,1385. O giro foi de US$ 1,5 bilhão. No mercado futuro, o dólar para fevereiro terminou em alta de 0,14%, a R$ 3,1545. O volume foi de US$ 24,999 bilhões. No acumulado da semana, recuou 1,48%.
TAXA DE JUROS
Os juros futuros sustentaram até o fechamento da sessão regular da sexta-feira, o movimento de queda de taxas visto desde a abertura, ainda amparados no resultado do julgamento do recurso do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva contra sua condenação, em segunda instância, na quarta-feira. Não somente a condenação da primeira instância foi confirmada como Lula teve sua sentença elevada para 12 anos e 1 mês de prisão. Com isso, o mercado dá como certo que o ex-presidente está fora da corrida presidencial.
A sessão teve volume robusto de contratos negociados. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou em 6,780%, de 6,829% no ajuste de quarta-feira, e a do DI para janeiro de 2020 caiu de 7,99% para 7,93%. A taxa do DI para janeiro de 2021 terminou em 8,74%, de 8,84% no último ajuste. O DI para janeiro de 2023 encerrou com taxa de 9,47%, de 9,62%.
"Lula com certeza está fora da eleição, o que aumenta muito chance de vitória de um candidato reformista e, com isso, o poder de barganha para aprovar a reforma da Previdência", afirmou o sócio-gestor da LAIC-HFM Vitor Carvalho, para explicar o rali dos mercados nesta sexta-feira.
A reforma da Previdência passa a ser agora o principal foco dos investidores e a grande batalha do governo. O presidente Michel Temer decidiu adiar a viagem que faria na semana que vem para Portugal para participar da XII cimeira luso-brasileira no dia 2 de fevereiro para poder concentrar os esforços nas negociações em torno da reforma, cuja data de votação está marcada para o dia 19 na Câmara.
Nesta sexta, com o foco muito voltado ao resultado do julgamento, oficializado já com o mercado nos últimos minutos de sessão na quarta-feira, a agenda doméstica não chegou a fazer preços na renda fixa.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) trouxe saldo negativo de 328.539 vagas de emprego formal em dezembro - número melhor do que a mediana das estimativas de fechamento de 405 mil - e de 20,8 mil vagas em 2017. Nesse caso, a mediana era negativa em 180 mil.
Já a Receita informou que a arrecadação de impostos e contribuições federais somou R$ 1,342 trilhão em 2017, um aumento real (já descontada a inflação) de 0,59% na comparação com o arrecadado em 2016 - a primeira alta real registrada desde 2013, quando a arrecadação cresceu 4,08%.


