Ibovespa fecha em queda de 0,78%; dólar atinge o maior valor do ano
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sábado, 10 de fevereiro de 2018
Agência Estado 
O Ibovespa espelhou a volatilidade dos mercados acionários em Nova York e oscilou em grande parte do dia sob a influência das cotações dos contratos futuros de petróleo. Durante o pregão de sexta-feira (9), o índice à vista operou entre a mínima de 79.690,08 pontos (-2,26%) e a máxima de 81.897,00 pontos (+0,45%). Fechou em queda de 0,78%, aos 80.898,69 pontos. O giro financeiro foi de R$ 12,35 bilhões.
Na semana, as perdas chegam a 3,74%, mas ainda há ganhos de 6,39% em 2018. "Não é possível falar que a correção parou, mas precisamos de um impulso para virar", disse Ariovaldo dos Santos, gerente da mesa de renda variável da H.Commcor.
O índice, que chegou a recuar mais de 2% na sessão de sexta, seguia a trajetória de seus pares em Nova York e também o preço do petróleo no exterior. Os contratos futuros da commodity chegaram a recuar quase 5%, pressionados pela subida do dólar e por sinais de maior produção nos Estados Unidos nas últimas semanas. Também influenciou a onda de vendas a perda do nível de US$ 60 do barril do WTI, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex). No momento do rompimento desse piso as bolsas de Nova York foram às mínimas e o Ibovespa acompanhou com as ações da Petrobras acentuando perdas entre 2,5% e 2,8%. Os papéis ON e PN da petroleira brasileira fecharam o dia com recuo de 1,28% e 1,47%, respectivamente.
Para Alexandre Espirito Santo, economista da Órama, neste momento, o mercado está colocando no preço tudo que não estava antes. "Quem vai dormir comprado no Carnaval? São dois dias sem bolsa diante de tudo isso no cenário daqui e de lá de fora", afirmou, lembrando que há exatos 11 pregões o índice fechou aos 85.530,83 pontos, em alta de 0,69%, e hoje caiu no intraday a 79 mil. "É uma queda grande e em pouco tempo."
Segundo Marco Tulli Siqueira, gestor de renda variável Coinvalores, os investidores estrangeiros já se colocam para continuar deixando suas posições na bolsa. De acordo com a B3, os não-residentes retiraram R$ 608,10 milhões no pregão da última quarta-feira, dia 7. Com o resultado, em fevereiro o fluxo estrangeiro está negativo em R$ 2,535 bilhões. Mas o saldo em 2018 está positivo em R$ 7,013 bilhões. "Céu com muita nuvem escura tem chuva", disse.
DÓLAR
A volatilidade global fez o dólar atingir o maior valor do ano ante o real na sexta-feira ( 9), ao fechar a sessão na casa dos R$ 3,29. Além do fortalecimento da moeda americana no exterior, o tombo nos preços do petróleo pesou sobre o câmbio doméstico. Outro fator que gerou cautela foi o fato de que, por causa do feriado de carnaval, o mercado local ficará fechado até o início da tarde da quarta-feira de Cinzas, enquanto os negócios continuarão normalmente no resto do mundo. Com isso, muitos investidores preferiram comprar dólares.
O dólar à vista fechou em alta de 0,48%, a R$ 3,2954. É o maior nível desde 28 de dezembro, último pregão de 2017, quando terminou cotado a R$ 3,3155. O giro foi de US$ 1,232 bilhão. Na mínima, chegou a R$ 3,2687 (-0,33%) e, na máxima, R$ 3,3188 (+1,20%). Na semana, a moeda americana acumulou valorização de 2,46%.
De acordo com Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso, diante do forte aumento da volatilidade e do tombo nos mercados acionários nesta semana, os investidores continuaram em busca por segurança. "No caso do Brasil, ninguém vai querer ficar exposto ao risco durante tantos dias durante o carnaval", comentou Galhardo.
José Raymundo Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, avaliou, também em relatório, que, para o curto prazo, "a situação é muito delicada". "Mas os sinais são de que o mercado global vai acalmar e teremos recuperação dos preços dos ativos. Este ainda é nosso cenário base", escreveu.
No campo doméstico, o foco são as negociações em torno da reforma da Previdência, apesar de o mercado já precificar a não aprovação da proposta no Congresso este ano.
TAXAS DE JUROS
As taxas de juros negociadas no mercado futuro se ajustaram para cima nos vencimentos mais longos depois de terem operado em baixa pela manhã. A mudança do viés esteve relacionada ao estresse do mercado internacional, às vésperas do feriado prolongado no Brasil, que deixará os mercados fechados no início da próxima semana. No que diz respeito aos fundamentos internos, os indicadores econômicos continuam a apontar para um cenário de aquecimento econômico contido e inflação baixa.
Os vencimentos mais curtos, que refletem essencialmente a expectativa com a política monetária doméstica, terminaram o dia perto da estabilidade. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2019 encerrou a sessão regular com taxa de 6,72%, ante 6,74% do ajuste de quinta-feira. O DI para janeiro de 2020 projetou taxa de 7,98%, ante 7,97%. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2021 ficou em 8,90%, de 8,85% do ajuste anterior. O DI para janeiro de 2023 teve a taxa elevada de 9,59% no ajuste de quinta para 9,68%.
Segundo Ignácio Crespo, economista da Guide Investimentos, dois fatores pressionaram a ponta longa da curva de juros, promovendo um aumento da sua inclinação. Um deles é a pressão na parte longa da curva dos Estados Unidos, refletindo os ajustes dos mercados à possibilidade de um aperto monetário mais forte naquele país. Outro fator foi a maior precificação de risco que caracterizou a semana nos mercados de maneira geral. "O CDS brasileiro teve alta no patamar dos 10% hoje (sexta) à tarde, o que acaba por influenciar os juros", afirmou.


