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Ibovespa fecha em baixa após frustração com decisão de juros nos EUA

Índice contabiliza queda de 2,03% no acumulado da semana


A decisão de política monetária do Federal Reserve trouxe frustração aos mercados de ações e impôs perdas significativas ao Índice Bovespa na última hora de negociação nesta quarta-feira (19). O indicador, que na espera pelo Fed chegou a subir 1,72%, cedeu à instabilidade das bolsas de Nova York e fechou com queda de 1,08%, aos 85.673,52, na mínima do dia. A expectativa era de que o BC americano apontasse para interrupção do processo de elevação de juros em 2019. Mas, ao reduzir a projeção de três para duas altas de juros no ano que vem, a sinalização do Fed foi considerada uma "dovish hike". O Ibovespa contabiliza queda de 2,03% no acumulado da semana e de 4,28% em dezembro.



Reunião do Fed influencia mercado de moedas


A reunião de política monetária do Fed influenciou o mercado de moedas pelo mundo, contribuindo para enfraquecer o dólar ante divisas de países desenvolvidos e emergentes. Na mínima do dia, a moeda caiu a R$ 3,86, mas após o fim do encontro a queda perdeu um pouco de fôlego e, no final da sessão, o dólar terminou em R$ 3,8882, em baixa de 0,39%. O mercado à vista seguiu mostrando procura de dólares por empresas e fundos para envio ao exterior. Os dados do fluxo cambial do Banco Central mostram que neste mês, até o dia 14, US$ 5 bilhões saíram do país pelo canal financeiro. Só na segunda semana de dezembro, as retiradas somaram US$ 2,2 bilhões.


Taxas reduziram levemente o ímpeto de queda

O mercado de juros esteve com as atenções nesta quarta totalmente voltadas ao exterior. Apesar da previsão de alta de juros, que foi confirmada, o comunicado do Fed não veio tão dovish como esperado e, na sessão estendida, as taxas reduziram levemente o ímpeto de queda. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou com taxa de 6,620%, de 6,651% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2021 caiu de 7,512% para 7,47%. A taxa do DI para janeiro de 2023 passou de 8,862% para 8,76% e a do DI para janeiro de 2025, de 9,512% para 9,38%.


Mercado ignora decisão que suspende prisão em segunda instância

Com o foco no exterior, o mercado ignorou a decisão do ministro de Marco Aurélio Mello de suspender a prisão em segunda instância, que abre caminho para que o ex-presidente Lula seja solto. "O evento externo hoje (quarta) é muito relevante em termos de fundamento. Em dias assim, esse tipo de ruído não tem tanta aderência no mercado", afirmou a economista da CM Capital Markets Camila Abdelmalack. Para ela, o mercado pode ainda estar segurando uma reação pela expectativa de que a decisão seja derrubada antes de Lula ser eventualmente solto. Para o estrategista de renda fixa da GS Research, Renan Sujii, a possível libertação de Lula não representa risco de volta do PT ao poder e, por isso, o mercado ignora.

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