Ibovespa cai por tensão entre EUA e China
Índice acumula queda de 1,40% em maio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de maio de 2019
Índice acumula queda de 1,40% em maio
Agência Estado 
Os temores de acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China deflagraram um movimento global de aversão ao risco, que atingiu em cheio os mercados acionários nesta segunda-feira (6). O Índice Bovespa operou em queda durante todo o pregão, na esteira do movimento gerado pelo aceno do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar a sobretaxação a produtos chineses. Ao final da sessão de negócios, o Ibovespa marcou 95.008,66 pontos, em queda de 1,04%. A porta de saída dos investidores foram as ações do setor financeiro. Destaque para Itaú Unibanco PN (-2,20%) e Bradesco PN (-2,70%). Com o resultado desta terça, o Ibovespa passa a contabilizar queda de 1,40% em maio.
Cenário externo pressionou o câmbio
O mercado de câmbio passou a segunda pressionado pelo cenário externo, marcado por queda das moedas de emergentes após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar tarifas adicionais em US$ 200 bilhões de produtos chineses. No mercado doméstico, a expectativa agora é pelo início dos trabalhos da comissão especial da Câmara, que vai avaliar a reforma da Previdência, previsto para esta terça-feira (7). O dólar à vista fechou em alta de 0,48%, a R$ 3,9580. O mercado ficou mais estressado pela manhã, quando o dólar bateu em R$ 3,97. A tarde, a moeda americana desacelerou o ritmo de queda, e foi negociada na casa dos R$ 3,95.
Juros futuros fecham perto da estabilidade
A aversão ao risco que pautou os mercados globais teve efeito muito limitado no segmento de juros, mais visível na primeira parte dos negócios. Ainda pela manhã as taxas zeraram a alta e passaram a oscilar perto da estabilidade, com viés de queda na ponta curta. As taxas de curto prazo encerraram a sessão regular nas mínimas. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,440%, de 6,470% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2021 fechou em 7,04%, de 7,062%. A taxa do DI para janeiro de 2023 ficou estável, em 8,15%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 8,67%, ante 8,682% no último ajuste.
Recuo da estimativa do PIB afeta as taxas
O impacto do anúncio do governo norte-americano de que elevará as tarifas para produtos chineses foi blindado pela percepção de que a atividade fraca pode reabrir um movimento de queda na Selic se a reforma da Previdência avançar. "Tivemos um dia morno para os juros. O impacto da questão da China e Estados Únicos que se vê no câmbio e na bolsa não se reflete nos DIs", afirmou o trader de renda fixa da Quantitas Asset Matheus Gallina. "Pesam nos juros mais as questões locais, pois a atividade fraca faz com que um possível novo ciclo de queda da Selic aconteça." Hoje a pesquisa Focus trouxe recuo na mediana das estimativas para o PIB em 2019 que passou de 1,70% para 1,49%.


