Ibovespa cai 0,48% com aversão ao risco no mercado internacional
Queda foi puxada por papéis sensíveis ao cenário global
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de maio de 2019
Queda foi puxada por papéis sensíveis ao cenário global
Agência Estado 
A aversão ao risco no mercado internacional se sobrepôs ao clima mais ameno do cenário doméstico e foi determinante para a queda de 0,48% do Índice Bovespa, que fechou aos 93.910,03 pontos nesta quinta-feira (23). O pessimismo quanto às chances de um acordo comercial entre Estados Unidos e China e os temores de recessão global incentivaram os investidores a buscar ativos conservadores, deflagrando uma onda vendedora nos mercados de ações. Na análise por ações, a queda foi puxada por papéis sensíveis ao cenário econômico global. Influenciadas pela queda robusta dos preços do petróleo, Petrobras PN e ON perderam 1,71% e 1,74%, nesta ordem.
Moeda americana encerra o pregão cotada a R$ 4,0475
Com troca de sinais ao longo do dia e sob influência do clima de aversão ao risco no exterior, o dólar subiu na sessão desta quinta. Com máxima de R$ 4,0714 e mínima de R$ 4,0259, a moeda americana encerrou o pregão cotada a R$ 4,0475, em alta de 0,17%. Segundo especialistas, o arrefecimento das tensões políticas retirou suporte para apostas compradas na moeda americana que levaram o dólar a atingir R$ 4,10 este mês. Na outra ponta, a fraqueza da economia brasileira, o risco de desidratação acentuada da reforma da Previdência e a as incertezas no exterior impedem que a moeda americana volte a ser negociada abaixo de R$ 4 no curto prazo.
Juros futuros registram a quarta queda seguida
O mercado de juros adiou uma possível realização de lucros e as taxas fecharam mais uma vez em baixa, completando quarta sessão seguida de queda nesta quinta. Desde a última sexta-feira, os contratos para janeiro de 2023 e janeiro de 2025 já perderam mais de 30 pontos-base, considerando os níveis de ajuste, basicamente em função do quadro político. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 encerrou 7,97%, de 8,012%, no ajuste de ontem, e a do DI para janeiro de 2025 recuou de 8,602% para 8,57%. A taxa DI para janeiro de 2021 caiu para 6,790%. Para janeiro de 2020, fechou na mínima de 6,380%.
Mercado opera na perspectiva de queda da Selic
A ponta curta também devolve prêmios em alta velocidade, diante da sensação de que o corte da Selic é questão de tempo. De acordo com cálculos do economista-chefe do Haitong Banco de Investimento, Flávio Serrano, a curva já embute 1 ponto-base de queda da Selic no fim de 2019, ante 100% de manutenção do atual patamar de 6,50%. De todo modo, não deixa de ser um efeito de toda a discussão do mercado em torno da política monetária, pois nos últimos meses sempre houve prêmio de risco para o fim do ano. Um gestor afirma que ganha força a tese de que o Banco Central vai cortar juro não só pela atividade fraca no Brasil, mas pelo contexto externo.


