Arquivo FolhaMais exigenteConsumidores estão mais atentos aos preços nos supermercados desde que a economia se estabilizou
As donas-de-casa brasileiras abandonaram o hábito de formar grandes estoques nas despensas domésticas e passaram, após a estabilização econômica, a fazer compras nos supermercados de forma mais espaçada. Esta é uma das principais indicações da última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), cujo resultado preliminar o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começa a divulgar em abril. ‘‘As compras para consumo imediato, que estão ocorrendo agora no Brasil, são a regra adotada por consumidores em economias estáveis’’, diz a economista Márcia Quintslr, chefe de Pesquisa do IBGE.
A estocagem de alimentos foi recurso largamente usado no período de hiperinflação. Os preços aumentavam com tanta rapidez que a coleta de dados para a última POF, iniciada em setembro de 1986 (um semestre depois do Plano Cruzado), teve que ser estendida por mais uma ano. ‘‘Os hábitos dos consumidores mudaram de tal forma que tivemos que reformular a pesquisa’’, explica Márcia Quintslr. A recomendação do Departamento de Pesquisas do IBGE é de que a pesquisa seja repetida a cada cinco anos, mas a falta de recursos foi responsável pela reedição do levantamento apenas agora, dez anos depois.
Em agosto, os índices de inflação medidos pelo IBGE - Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - passarão a ser calculados com base na nova estrutura de pesos montada a partir da POF. A coleta de dados, que terminou em outubro do ano passado, abrangeu 20 mil domicílios, distribuídos nas 11 principais regiões metropolitanas do País. Em regiões como Sul e Sudeste, com populações de nível de renda mais homogêneo, a amostragem foi menor e nos mais heterogêneos, como o Nordeste, a pesquisa foi mais ampla.
Preços A estabilização provocada pelo Real não mudou apenas o perfil do consumidor. Será também responsável pela instituição de um novo tipo de pesquisa do IBGE, que deverá passar a divulgar, a partir do segundo semestre deste ano, o preço médio de cada produto que integra o índice de preços e não apenas a variação da cesta básica. ‘‘O consumidor não quer apenas saber quanto variou a cesta básica, o que era comum quando a inflação era superior a 40% ao mês, agora a demanda é por conhecer o preço’’, explicou a chefe do Departamento de Pesquisa.

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