Rio de Janeiro - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) já trabalha com a hipótese de que é praticamente certo a safra agrícola deste ano ser inferior à colhida em 2003. A estimativa de março, divulgada ontem pelo instituto, aponta uma safra de 125,6 milhões de toneladas, 1,5% superior ao ano passado (123,6 milhões), mas o chefe do departamento de agropecuária, Carlos Alberto Lauria, disse que os dados de abril, a serem divulgados no mês que vem, vão reverter essa expectativa.
Ele explicou que, ''com certeza'', a safra de soja 2004 será menor do que a do ano passado, que chegou a 51,4 milhões de toneladas, e ainda, que é ''muito provável'' que a safra total deste ano seja menor do que a colhida no ano passado.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou quarta-feira previsão de safra de 120 milhões de toneladas. Segundo Lauria, a diferença da estimativa para a do IBGE ocorreu porque o levantamento da Conab foi realizado em abril, enquanto o do instituto refere-se ao mês anterior.
Lauria disse que ainda não dispõe dos números que confirmem as suspeitas de queda, mas os levantamentos realizados na primeira quinzena de abril pelo IBGE revelaram continuidade dos problemas climáticos que estão provocando reduções nas safras de soja e milho que, juntos, respondem sozinhos por 72% da safra de grãos do País. ''A próxima divulgação provavelmente vai indicar queda na safra, com forte tendência a ser menor do que a de 2003. A safra de soja com certeza será menor'', afirmou.
A soja, principal produto agrícola brasileiro, que responde por 42% da safra total e é importante para a balança comercial do País, está enfrentando problemas climáticos que estão levando a consecutivas revisões para baixo da previsão de safra. Em janeiro, o IBGE estimava que a colheita do produto em 2004 atingiria 59 milhões de toneladas e, em abril, o prognóstico era 7 milhões de toneladas menor. Em abril, por causa da continuidade dos problemas climáticos, haverá redução ainda mais intensa da estimativa.
Inflação - Lauria disse que, caso a inflação neste ano venha a ser afetada pela safra agrícola menor do que o volume esperado, será através da soja. Para ele, é possível que a queda na safra do produto ante o ano passado, que será confirmada em abril, eleve o valor da commodity, pressionando preços do produto no atacado. No varejo, o efeito poderá vir no óleo de soja.
Mas, por outro lado, há perspectiva de aumento da safra de produtos importantes na despesa das famílias, como feijão (previsão de aumento de 8,63% ante a safra 2003, por causa de boa produção no Nordeste) e arroz em casca (aumento previsto de 22%).
Os índices de inflação relativos a abril já divulgados mostraram que quedas de preços em produtos alimentícios contribuíram para reduzir as taxas na comparação com março.

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