Rio de Janeiro - O Produto Interno Bruto (PIB) ficou 10,9% maior e ultrapassou mais uma barreira, chegando aos R$ 2,147 trilhões em 2005, com o novo cálculo divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A nova metodologia também revelou que o crescimento da economia nos últimos anos, principalmente desde 2002, foi maior do que o calculado anteriormente. Isso elevou o crescimento médio do País, no governo Lula, de 2,6% - pela série antiga - para 3,1%. A base são as taxas recalculadas de 2003 a 2005 e a preliminar para 2006, que será revisada na próxima semana.
Em 2004, quando registrou o melhor desempenho da economia, a taxa de variação do PIB chegou a quase 6%, ficando, naquele ano, na média dos países emergentes, da qual o Brasil havia de descolado para baixo. Como efeito dos novos valores, o PIB brasileiro passou da 11 para a 10 colocação mundial, ultrapassando a Coréia do Sul, conforme levantamento feito pela consultoria Austin Rating.
Na comparação com outros governos, Lula está com o sétimo pior desempenho histórico. Antes empatava com o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso na sexta colocação, conforme levantamento do economista Reinaldo Gonçalves, do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A reavaliação da economia foi feita pelo IBGE com o uso de novos dados de pesquisas feitas a partir de 2000, e ajustes metodológicos. Com isso, por exemplo, o crescimento do País em 2003 mais do que duplicou (de 0,5% para 1,1%) e chegou a 5,7% em 2004 (a taxa anterior era de 4,9%). ''Os novos indicadores revelam a mesma tendência da economia. O que muda é a magnitude'', diz o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.
As novas contas têm 2000 como ano-base. Para montar uma série histórica, o IBGE recalculou os dados a partir de 1995, usando outros pesos dos setores e mudanças metodológicas que podiam se transportadas para os anos anteriores. Em quatro dos cinco anos, entre 1996 e 2000, as novas taxas de crescimento foram inferiores às da série antiga. Assim, as médias do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso caíram e as do segundo, cresceram. Na média dos oito anos, segundo o professor da UFRJ, a média anual ficou no mesmo nível, de 2,3%.
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento, Orçamento e Gestão) apresentou os números ao presidente Lula e contou que ele ficou ''muito satisfeito''. Mas isso não muda, segundo o ministro, o discurso governista: ''Vamos continuar fazendo esforço para melhorar esse quadro. Achamos que os indicadores divulgados são muito positivos. Primeiro, porque houve nos últimos quatro anos, no governo Lula, um crescimento da economia maior do que foi divulgado. Segundo, temos indicadores mais positivos sobre o que aconteceu com a carga tributária, com a dívida, com o déficit nominal, que era de 3,3%, mas, na verdade, se mostrou ser 3% do PIB.''

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