O Produto Interno Bruto (PIB) do País cresceu 3,77% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. O porcentual está um pouco abaixo da média de 4% prevista pelo mercado mas, segundo o gerente do PIB Trimestral do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Olinto, indica que a economia manteve a trajetória de crescimento iniciada no segundo semestre de 99.
Segundo Olinto, a manutenção do crescimento até o final de março pode ser comprovada pelo crescimento do PIB no acumulado de quatro trimestres, que atingiu 4,38% na comparação com os 12 meses imediatamente anteriores. Também na comparação com o último trimestre de 2000 houve crescimento, nesse caso de 0,10%. Mas o economista afirmou que as boas condições macroeconômicas que levaram a esse crescimento já são parte do passado. ‘‘Houve uma ruptura radical’’, disse, referindo-se à iminência do racionamento de energia. Ele explicou que essa mudança pode ser atribuída também, embora em menor grau, à alta nas taxas de juros e à irresolução da crise argentina.
Os resultados da transformação do cenário macroeconômico estarão contabilizados no PIB do terceiro trimestre do ano, que será divulgado em novembro, segundo afirmou Olinto. A explicação é que os impactos do racionamento vão ocorrer a partir de junho, com reflexo ainda reduzido, portanto, nos dados do segundo trimestre.
A elevação de 3,77% no PIB do primeiro trimestre foi puxada especialmente pela indústria, que apresentou no período o seu maior crescimento trimestral (5,93%) desde o segundo trimestre de 1997 (6,52%). O destaque foram os segmentos de extrativa mineral (10,52%), transformação (6,42%) e construção civil (4,18%).
O setor de serviços apresentou crescimento de 2,64% e a agropecuária, 1,06%. O valor arrecadado com impostos cresceu 5,62% no período, como reflexo, também nesse caso, do crescimento da indústria. Roberto Olinto chamou atenção para a redução no incremento do segmento de Comunicações, que havia crescido 15,93% no primeiro trimestre do ano passado e caiu para um aumento de 1,94% no mesmo período deste ano. Ele explicou que a redução no ritmo de crescimento pode ser sido provocada pela base alta dos dois anos anteriores no setor, que estaria iniciando um período de estabilidade.

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