IBGE quer padronizar PIB dos Estados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de julho de 1997
Agência Estado Rio de Janeiro 
A balança comercial, que aponta o saldo entre exportações e importações e atormenta a política econômica do governo federal, passará a ser também um instrumento para medir o saldo comercial dos estados. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e representantes de todos os governos estaduais estão estudando a padronização do cálculo dos Produtos Internos Brutos (PIBs) estaduais - atualmente cada unidade da Federação utiliza seus próprios métodos - e a adoção da balança, para identificar o fluxo econômico entre os estados.
O presidente do IBGE, Simon Schwartzman, informou que desde o ano passado os institutos de pesquisa dos estados estão estudando, junto com o IBGE e o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), a elaboração de uma nova metodologia de cálculo do PIB. Hoje, por causa da falta de padrão, existem estados com PIBs medidos por quatro entidades diferentes, com índices totalmente discrepantes, como é o caso da Bahia.
O estudo, ainda sem prazo de conclusão, está sendo coordenado pela Diretoria de Pesquisas do IBGE, que já promoveu dois encontros com representantes dos estados. Num país com as dimensões e os arranjos político-administrativos do Brasil, é importante ter um controle do que entra e o que sai de cada região, para fazer uma relação entre produção e consumo, diz Magdalena Cronemberger, coordenadora do Sistema de Estatísticas Econômicas do IBGE.
Ela acredita que o novo método mudará substancionalmente os índices dos PIBs estaduais. Ela lembrou que, há algumas décadas, houve uma tentativa de elaborar uma estatística sobre o comércio entre os estados, mas a falta de um sistema informatizado frustrou o estudo.
O IBGE está modificando também a sua base de cálculo para pesquisas sobre comportamento da indústria, do comércio e do setor de serviços. Os índices que acompanham o desenvolvimento destes setores da economia passarão, a partir do segundo semestre, a ser estabelecidos com base numa nova amostragem de empresas.
O censo cadastro, que determinou a nova base, foi iniciado em 1995, mas a pesquisa só ficará concluída este mês. Serão relacionadas 345 mil empresas para representar um universo de cerca de 3,5 milhões. Para pesquisas econômicas, é uma amostragem consistente, garante Magdalena. Na indústria, por exemplo, menos de 20% das empresas respondem por mais de 95% da atividade produtiva do setor, afirma.


