A safra agrícola pode superar os 80 milhões de toneladas este ano, segundo estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que deve trazer um impacto positivo na balança comercial. Os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (que engloba cereais, leguminosas e oleaginosas) de fevereiro já projetam uma safra recorde de 79,6 milhões de toneladas.
O possível crescimento de 6,23% frente ao ano passado vem sendo impulsionado pelo aumento no plantio de feijão, arroz e milho. A expectativa é que a produção consiga atender ao consumo interno, interrompendo a necessidade de importação desses produtos. Em 1998, o consumo de arroz foi de 10 milhões de toneladas, contra uma produção de 7,8 milhões. A solução para atender à demanda foi importar, contribuindo para o déficit da balança comercial.
O chefe do Departamento de Agropecuária do IBGE, Carlos Alberto Lauria, explica que a situação este ano é diferente, com a produção chegando
próximo à casa dos 10,5 milhões de toneladas. A expectativa é que a safra de milho deste ano alcance os 31 milhões de toneladas consumidos pelo brasileiros anualmente. No ano passado, a produção ficou em 28,7 milhões de toneladas.
O segundo levantamento da produção agrícola realizado este ano constatou que o desempenho da safra de feijão será 48,5% melhor do que no ano passado. O aumento no preço do produto no mercado internacional contribuiu para que os agricultores estendessem suas áreas de plantio. A produção de feijão deve atingir 2,6 milhões de toneladas, superando o consumo interno do produto, que está em 2,4 milhões. ‘‘A agricultura será um ponto favorável para a balança comercial. Em 98, a seca no Nordeste prejudicou o desempenho da safra nacional. Com isso, houve um volume grande de importação de produtos básicos para atender à demanda da população , explicou Lauria.
Os primeiros dados do instituto já revelam uma forte recuperação da lavoura na região, responsável por 9,2% da safra brasileira. A produção do Norte e Nordeste teve uma expansão de 36,54%, enquanto o resto do país cresceu apenas 3,88%. O técnico do IBGE avalia que, se não fosse pela seca, a safra brasileira já teria chegado a 80 milhões de toneladas em 1998. Lauria prevê ainda um crescimento substancial da produção de trigo, também afetada pela seca no Nordeste.
A estimativa é que a produção alcance 3,5 milhões de toneladas, contra os 2,5 milhões da safra anterior. Mesmo não sendo suficiente para atender ao consumo interno de trigo, de 8 milhões de toneladas, Lauria destaca que o resultado será positivo para a balança comercial.

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