IBGE prevê safra 2002 apenas 0,3% maior
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quinta-feira, 27 de junho de 2002
Rosana Félix<BR>Equipe da Folha 
Curitiba A safra brasileira 2002 deve alcançar 98,8 milhões de toneladas, resultado apenas 0,3% maior que o da colheita passada. O desempenho nacional ficou prejudicado pela redução de 10,8% na safra da Região Sul, a única que teve queda, mas que ainda é a maior produtora nacional, com 44 milhões de toneladas. Em todas as outras regiões houve aumento na produção, com destaque para o Nordeste, que vai colher uma safra 26,2% maior, e o Sudeste, com incremento de 12,8%. Os dados, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram apurados em maio.
Os dados do IBGE mostram o resultado das colheitas de verão. A produção de soja em grão aumentou 11%; a do trigo 23,39%; milho safrinha (5,7%); feijão em grão da primeira safra 39%; feijão da segunda safra 30%; e arroz em casca 1,3%. Tiveram queda a terceira safra de feijão (-11,2%); a primeira safra de milho em grão (-16,3%); e algodão herbáceo (-13,5%).
As altas temperaturas em abril e maio fizeram com que o milho safrinha tivesse uma quebra grande, de 1,2 milhão de toneladas no Paraná. A previsão inicial, de 3,3 milhões de toneladas, agora caiu para 2,1 milhões de toneladas no Estado. A Região Sul não teve aumento do produção justamente porque há muitos produtores modificando as áreas de milho para soja, que é uma cultura menos produtiva, observou o engenheiro agrônomo Otmar Hubner, da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Já a produção de trigo aumentou 29,5% no Paraná, e 12,8% no Rio Grande do Sul, os principais produtores do Brasil. De acordo com Hubner, a produção no Paraná aumentou porque houve aumento de cerca de 14% na área e porque no ano passado houve quebra de produção. Outros estados menos expressivos também tiveram aumento na safra: 32% em Minas Gerais, 27% em Mato Grosso do Sul e 143% em Goiás.
O bom desempenho dessa cultura aponta para um aumento de 23% em relação à colheita passada, totalizando 4 milhões de toneladas em todo o País. O Brasil terá que importar 6 milhões para dar conta do consumo total.


