O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) prevê queda de 3% a 4% na produção industrial no primeiro semestre frente ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 1999, o setor já registra recuo de 4,3%. Uma pesquisa divulgada ontem pelo IBGE revela que a produção industrial em fevereiro caiu 1,3% em relação a janeiro e 5,1% frente a fevereiro do ano passado.
‘‘O clima de incerteza levou o setor a reduzir o ritmo de produção. O resultado só não foi pior porque a indústria já vinha apresentando quedas consecutivas desde junho de 1998’’, explicou a gerente de análise de dados do Departamento de Indústria do IBGE, Mirian Teresa Ferreira.
Os setores mais afetados no primeiro semestre devem ser os de bens de consumo duráveis e de bens de capital, atividades que dependem muito do financiamento e, por isso, sofrem diretamente os efeitos das elevadas taxas de juros. No ano, os bens de consumo duráveis já acumulam retração de 14%, e os de capital, de 11,2%.
Apesar das últimas quedas, Mirian avalia que os juros ainda estão muito altos para a população brasileira. A taxa básica anual vigente, definida pelo Banco Central no início da semana, está em 39,5%. ‘‘O consumidor ainda não sentiu o efeito da queda dos juros. Além disso, o desemprego e a inadimplência também são fatores que inibem a produção industrial’’, avaliou Mirian.
A pesquisa do IBGE revela ainda que os setores de material elétrico e de comunicação, extrativo mineral e de material de transporte foram os grandes responsáveis pela queda de 1,3% da indústria de janeiro para fevereiro. Juntos, esses três segmentos representam 30% da produção total da indústria.
O pior desempenho foi o de material elétrico e de comunicação, com retração de 7,5%. Em relação a fevereiro do ano passado, o setor apresentou uma queda de 17,7%, puxada principalmente pela retração de 27,3% na produção de eletrodomésticos.
Para os próximos meses, a gerente de análise de dados acredita que o desempenho da indústria deverá permanecer fraco, apresentando uma pequena recuperação apenas no segundo semestre.
Segundo ela, a boa performance da safra agrícola deste ano vai estimular a produção da agroindústria. Com isso, é possível ocorrer um aumento na produção de tratores e caminhões para escoar e preparar a próxima safra.
A técnica do IBGE destaca ainda que os efeitos da desvalorização cambial serão positivos para a indústria a médio prazo. Mirian explica que a produção industrial aumentará com a recuperação das exportações e a queda das importações. ‘‘Os insumos importados ficaram mais caros após a desvalorização e estão sendo substituídos pelos nacionais. Isso deve estimular a produção industrial no segundo semestre’’.

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