A inflação anual medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), ambos calculados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficará abaixo de dois dígitos este ano. A afirmação é da chefe do Departamento de Índices de Preços do IBGE, Márcia Quintslr, com base no resultado do INPC de novembro, de 0,34%, e do IPCA do mesmo mês, de 0,32%. Com esses resultados, de janeiro até novembro o INPC teve uma variação acumulada de 8,96% e o IPCA, de 9,05%.
‘‘Não há nada pressionando a inflação que justifique uma alta de mais de 1% em dezembro em qualquer um desses índices’’, disse Quintslr. Nem mesmo o reajuste de combustíveis anunciado hoje terá um grande impacto na inflação de dezembro, porque só entrará em vigor em 17 de janeiro. Com isso, os efeitos dos reajustes serão mais percebidos nos índices de preços de janeiro.
Mesmo assim, para 1997 Quintslr está otimista. ‘‘Acredito que teremos um resultado ainda melhor do que o de 1996.’’ A economista acredita que a inflação em 97 será mais baixa em função de uma combinação de fatores: o conjunto de políticas de importação, de câmbio e o monitoramento da liquidez da economia. Aliado a isso está o fato de que as tarifas públicas ainda neste ano foram reajustadas em patamares que carregaram o efeito de inflação passada.
Segundo Quintslr, houve reajustes de tarifas até ultrapassando a inflação no ano. ‘‘Em 1997 os patamares estarão dentro da nova realidade’’, disse a economista. O mesmo acontecerá com os aluguéis. Neste ano, os reajustes foram feitos com resultado acima da media nacional, mas já cederam bastante, à medida em que começaram a ser negociados dentro de um novo patamar inflacionário.’’
A maior alta no INPC de novembro ocorreu no grupo Habitação, com 1,39%, pressionado pelos aluguéis (1,71%), embora a variação tenha sido inferior a outubro (2,08%). Na outra ponta, ficou o grupo Alimentação e Bebidas, cuja deflação de -0,32% contribuiu para conter o índice geral do mês. O destaque foi para Curitiba, onde a deflação em Alimentação e Bebidas foi de -1,21%.
O INPC e IPCA têm a mesma abrangência geográfica - Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Belém, Fortaleza, Curitiba e Goiânia - e coleta preços feita de um a 30 de cada mês. A diferença está na cesta de consumo: o INPC se baseia no consumo de famílias com renda de um oito salários-mínimos, enquanto o IPCA abrange de um a 40 salários.

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