IBGE prevê desemprego industrial menor
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O desemprego industrial neste ano não deve alcançar o mesmo nível registrado no ano passado, de 9,1%, segundo avaliação da gerente de Análise de Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Miriam Ferreira. O índice do emprego na indústria até agosto, divulgado ontem pelo instituto, mostra uma queda de 8,6% na oferta de trabalho no setor este ano. Apesar de a taxa estar bem negativa, notamos, pelo acompanhamento mensal, que está havendo alguma melhora e a queda não deve aumentar, afirma Miriam.
Ela não acredita num boomde emprego na indústria devido ao aquecimento do setor causado pelas vendas de fim de ano, mas também não aposta numa maior redução do emprego. Pior do que está não vai ficar. Depois de um ligeiro aumento em julho, de 0,1%, o emprego industrial voltou a cair em agosto: quase 0,2% em relação ao mês anterior. A redução não foi considerada significativa e a expectativa dos técnicos para médio e longo prazo é otimista, mais por um freio nas demissões que por novas contratações.
Mesmo as recentes campanhas por reposições salarias de categorias com sindicatos fortes, como bancários, metalúrgicos e petroleiros, não representam para o governo o início de uma nova onda de greves ou de um período de demissões em massa, como avalia o secretário de Relações de Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Murilo Duarte. Não há clima para isso, disse.
Na indústria, o total de salários pagos caiu em agosto, pela segunda vez consecutiva, segundo a pesquisa divulgada pelo IBGE. O levantamento abrange todos os Estados do País e, além do acompanhamento das admissões e demissões, faz comparação sobre os rendimentos e mostra como está o nível de emprego em 22 setores industriais em cada região.
A Região Sul registrou a queda mais acentuada de emprego (-0,8% em agosto, em relação a julho) e atingiu 14 setores, com destaque para o fumo (-41,7%) por questões sazonais: com o fim da safra, muitos trabalhadores foram dispensados.
Segundo Miriam Ferreira, durante toda a década de 90 foi registrada redução de emprego na indústria, em alguns anos como mais intesidade do que agora, como em 1991 (-10,1%) e 96 (-11 2%). No início dos anos 90, a queda tinha mais a ver com a reestruturação da indústria, mas agora está sendo causada pela própria redução da produção industrial, diz ela. Este ano, a queda está sendo puxada basicamente pela redução nas indústrias de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde o parque de produção de bens de consumo duráveis é mais forte.





