IBGE prevê ano perdido para indústria
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sexta-feira, 05 de setembro de 2003
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio A indústria iniciou o segundo semestre apresentando novos dados negativos de produção. Os sinais de recuperação em julho foram tão discretos que não conseguiram evitar uma queda de 2,5% na produção, ante igual mês do ano passado. Na comparação com junho, houve aumento de 0,4%, praticamente todo alavancado pela indústria de petróleo e gás. ''Não houve força suficiente na reação em julho para alterar a trajetória de queda da produção'', disse Silvio Sales, coordenador de indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os números divulgados ontem pelo instituto surpreenderam o mercado e até o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério do Planejamento. Os analistas econômicos estimavam uma retração menor no dado de julho, na comparação com julho 2002 (entre -0,9% e -1,2%), e uma reação mais forte ante junho (entre 1% e 2,5%). Já o Ipea projetava, respectivamente, queda de 1,3% e aumento de 1,3% nesses indicadores.
''Todos esperavam uma recuperação da indústria de transformação em julho, mas o patamar de atividade continuou tão baixo quanto em junho'', disse o analista da Tendências Consultoria, Juan Jensen. O fraco desempenho de julho transformou em negativo o sinal da produção no acumulado do ano (-0,3%) e tornou praticamente inevitável que a indústria feche 2003 com queda em relação ao ano passado. ''Deve fechar em queda'', disse Jensen. O Ipea projeta uma redução de 0,7% na produção no ano.
Sales alertou que, ''se a reação da indústria não tiver fôlego significativo, será difícil reverter os dados negativos da produção porque a base de comparação foi crescente no ano passado''. Sua expectativa é de que o primeiro sinal de aquecimento da demanda interna ocorra na redução dos estoques da indústria e do comércio. ''Confirmada essa redução, poderá ocorrer uma reação mais forte desses setores no final do ano'', afirmou.
Sales disse que ainda é cedo para dizer se o crescimento de 0,4% na produção em julho ante junho, após duas quedas consecutivas na comparação com mês anterior, mostra que a indústria saiu da ''recessão técnica'' diagnosticada no primeiro semestre. ''Para fazer essa avaliação, é preciso esperar o fechamento do terceiro trimestre'', disse.
Questionado se o pequeno crescimento de julho, ante junho, mostra que o final do primeiro semestre foi o ''fundo do poço'' da indústria, Sales avaliou que ''a indústria vinha em contínua queda nesse indicador e pelo menos não piorou. Se essa trajetória se confirmar, junho terá sido o fundo do poço''. Sales disse ainda, sobre os dados de julho ante junho, que ''o principal é que mudou o sinal, mas não a trajetória de queda da produção industrial''.


