Rio de Janeiro - Na segunda-feira, o Ministério do Trabalho informou que a quantidade de empregos formais (com carteira assinada) criados em agosto foi recorde para o mês. Também foi comemorado o melhor resultado acumulado de janeiro a agosto desde 1992, com a criação de 1,466 milhão de empregos e saldo de vagas formais de 677,9 mil. Ontem, o IBGE, vinculado ao Ministério do Planejamento, divulgou um pequeno aumento da taxa de desemprego e piora no rendimento dos trabalhadores em agosto, o que aponta para direção completamente oposta.
''São pesquisas muito diferentes, que não devem ser comparadas. Mas pode-se concluir que é óbvio que houve melhora. A taxa de desemprego aumentou um pouco, mas o número de pessoas procurando trabalho também cresceu. Preocupante é essa queda de renda, mas pessoalmente não vejo mesmo espaço para crescimento de renda com uma oferta tão grande de mão-de-obra'', diz Paulo Mol, economista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) responsável pela análise de pesquisas.
As diferenças entre os dois levantamentos são muitas. A começar pelo universo pesquisado. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho reúne informações sobre o emprego formal relativo às empresas. Empregados com carteira assinada por pessoas físicas, como domésticas, não contam. Também não entram na relação funcionários públicos e militares.
O IBGE pesquisa todo o tipo de emprego, inclusive o informal (que não é tratado com esta rubrica pelo instituto). Em compensação, acompanha apenas o comportamento da ocupação nas seis principais regiões metropolitanas do País: Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. No Caged, os dados são de todos os 27 Estados, abrangendo inclusive municípios do interior.
Segundo Mol, as seis regiões relacionadas pelo IBGE já corresponderam à maioria dos empregados desses Estados. Hoje, representam menos da metade da força de trabalho de suas regiões. ''O emprego tem crescido muito no interior'', lembra o técnico, que aponta mais uma diferença entre as duas pesquisas: a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, é um levantamento por amostragem, enquanto o Caged reúne dados de todo o universo pesquisado.

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