Agência Estado
RIO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que a taxa média de desemprego no mês passado foi de 8,02% contra 7,90% em junho. Foi a pior já registrada em um mês de julho desde que o instituto começou a fazer a pesquisa, em 1983, e a terceira pior de toda a série histórica. Além disso, o desemprego médio nos sete primeiros meses do ano, de 7,84%, foi igualmente o mais alto apurado pelo IBGE neste período.
No mês passado, mais 1,4 milhão de pessoas estavam desocupadas ou procurando trabalho nas seis regiões metropolitanas em que o órgão faz a pesquisa (São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Recife). A Região Metropolitana de São Paulo pode ser apontada como a principal responsável por resultados tão negativos.
A Grande São Paulo congrega 45% da população das seis regiões e gerou um quadro extremamente desfavorável em julho, com desemprego médio de 8,95%, puxado pela indústria de transformação, setor no qual o desemprego alcançou 10,50%, a segunda taxa mais alta da série histórica.
Neste caso, conforme a economista do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza, não há dúvidas de que as estatísticas estão sendo prejudicadas pelo fato de uma grande quantidade de indústrias estar se deslocando para o interior do Estado, portanto, fora do alcance da pesquisa.
A quantidade de ocupados na indústria de transformação, todas as seis regiões, diminuiu em 91 mil pessoas de junho para julho, e em 208 mil na comparação com julho de 97. A participação da Grande São Paulo em tal retração foi de 72% de um mês para o outro, e de 80% no confronto com julho do ano passado.
Não há qualquer esperança de, antes das eleições de 3 de outubro, ser divulgadas estatísticas mais favoráveis para o mercado de trabalho, segundo a economista. Na avaliação dela, a última pesquisa de desemprego a ser divulgada antes das eleições será a referente a agosto e virá a público no final de setembro.
As expectativas são de que até lá o desemprego continue alto. Somente se espera uma melhoria a partir de outubro, por conta do aquecimento que tradicionalmente ocorre no final do ano. Ela acredita que em dezembro a taxa mensal estará abaixo de 8%.
De qualquer modo, segundo Shyrlene, não existe a menor chance de que o desemprego médio de 98 fique abaixo do verificado no ano passado (5,66%). A economista lembrou ainda que o arrefecimento do desemprego dependerá de não haver um novo aumento nas taxas de juros - justamente por conta de uma medida dessas, tomada pelo governo em outubro passado em reação à crise na Ásia, o desemprego no Brasil chegou a um nível tão alto quanto o atual.
A pesquisa do IBGE mostra que o tempo que se leva procurando trabalho também aumentou em julho, em todas as regiões, exceto em São Paulo.

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