A taxa de desemprego medida pelo IBGE em seis regiões metropolitanas brasileiras chegou a 8,02% em abril, com ligeiro recuo em relação aos 8,16% de março. Foi o índice mais alto para o mês de abril da história da pesquisa do IBGE, iniciada em março de 1983. Em abril de 1998 a taxa de desemprego havia sido de 7,94%.
Em números absolutos, a população desocupada caiu de 1.430.334 em março para 1.401.450 pessoas em abril. A diferença significa que o número de pessoas procurando emprego caiu 2,02% de um mês para o outro. De acordo com Marileni Silva Mansoldo, chefe da Divisão de Pesquisa Mensal do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE, a variação da taxa de desemprego foi pouco significativa e normal entre os meses de março e abril.
A diferença de 28.884 no número de pessoas procurando emprego foi o fator que reduziu a pressão sobre a taxa de desemprego, segundo análise da técnica do IBGE, já que a população ocupada caiu de 16.160.089 pessoas em março para 16.144.251 em abril.
Ela não deu uma explicação para a queda na procura por emprego, admitindo que uma das hipóteses seria o fato de abril ter sido um mês com muitos feriados - Semana Santa e aniversário da morte de Tiradentes. ‘‘O patamar continua bastante elevado , disse Mansoldo, evitando fazer projeções para os próximos meses. Ela disse apenas que, ‘‘a menos que haja medidas corretivas , continuará havendo pressão de alta do desemprego, especialmente na indústria, e a atividade comercial levará a uma queda sazonal (típica do período) no final do ano.
A continuação da queda nas taxas de juros poderia criar uma tendência de redução no desemprego, segundo a técnica do IBGE, especialmente por proporcionar maior facilidade de crédito para a pequena e a média empresas, tradicionais absorvedoras de mão-de-obra. A taxa divulgada ontem foi a quinta maior da história da pesquisa do IBGE, juntamente com a de julho do ano passado. A maior continua sendo a de maio de 1984, com 8,24%.
O IBGE corrigiu de 8,15% para 8,16% a taxa de desemprego de março anteriormente divulgada. Mansoldo explicou que a correção deveu-se à recuperação de números extraviados no processo de transmissão de dados. Os números do IBGE em abril mostram que, entre os setores de atividade econômica, apenas a construção civil registrou aumento no número de pessoas ocupadas, com alta de 2,4%, equivalente a 25.936 pessoas.
A técnica do IBGE destacou o aumento de investimentos em obras públicas pela Prefeitura de Recife como a causa mais relevante do resultado positivo na construção civil. Na construção como um todo, o desemprego passou de 10,72% a 9,37%.
O desemprego na indústria de transformação em abril ficou em 8,84%, após ter chegado a 9,67% em janeiro. Nos demais setores, de março para abril, o desemprego passou de 9,15% para 8,63% no comércio e de 6,32% para 6,43% nos serviços.

mockup