IBGE apura dois meses seguidos de deflação pela 1ª vez
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Agência Estado 
O Brasil, que durante décadas lutou contra a alta da inflação, agora poderá começar a se preocupar com a deflação, ou seja, queda de preços. Pela primeira vez na história dos índices apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1979, os indicadores de preços apresentaram dois meses seguidos de deflação.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) teve no mês passado o seu mais baixo resultado: -0,49%, depois de registrar em julho taxa também negativa de 0,28% e igualmente recorde. Houve deflação ainda no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que apura a inflação para as famílias que ganham até 40 salários mínimos. Para este índice, a variação negativa chegou a 0,51% (em julho, -0,12%).
Tal como o INPC, que reflete o comportamento dos preços para as famílias com renda de um a oito salários mínimos, o IPCA mostrou o menor resultado da sua série. Da mesma forma, nunca tinha havido, com este índice, duas deflações seguidas.
A técnica do IBGE Eulina dos Santos avalia que já se pode pensar em ficar preocupado com o comportamento retraído dos preços. As vendas, lembra, vêm caindo em decorrência dos juros altos. Isso, contudo, somente deverá aparecer de forma mais consistente nos indicadores de setembro. Na verdade, diz ela, será preciso aguardar outros índices, como o que mede o comportamento da economia, isto é, o Produto Interno Bruto (PIB), para saber se a deflação continuada se deve a uma contração muito grande na economia.
Com o INPC de agosto, a inflação acumulada no ano, que estava em 2,95% em julho, desceu para 2,45%. Em 12 meses, baixou de 4,07% para 3,59%.


