Rio de Janeiro - As privatizações e o crescente aperto no Orçamento encolheram a participação das obras públicas no setor de construção do País. As obras contratadas pelo setor público, que em 1996 respondiam por 60% do total dos empreendimentos executados, em 2001 contribuíram com 45,8%. Os dados foram divulgados ontem, em pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O principal exemplo do papel das privatizações nessa transformação do setor está na construção de estações e redes de telefonia. Nesse segmento, a participação do setor público como empreendedor em 1996 atingia 71,4% e, em 2001, foi reduzida para 19,2%.
''De 1996 para cá houve um enxugamento do papel do Estado, com a privatização de segmentos como telecomunicações, rodovias e hidrelétricas, grandes demandadores de obras, o que explica parte da queda da participação do setor público na construção'', explicou a economista Mariana Rebouças, do departamento de indústria do IBGE.
Ela destacou que as privatizações não são o único fator responsável pela redução, já que os investimentos do Estado também foram diminuindo ao longo do tempo, para atender às necessidades de ajuste fiscal. Em 1996, o setor público era responsável por 85,7% do valor das obras viárias, enquanto seis anos depois a participação não ultrapassava os 72,6%.
A pesquisa revelou também que as 100 maiores empresas continuam dominando o setor, mas começam a ceder algum espaço para as de menor porte. Esse movimento é mais claro exatamente no que diz respeito às obras públicas. A participação dos empreendimentos privados no total das obras das grandes empresas (500 empregados ou mais) caiu de 58,9% em 1996 para 51,2% em 2001.
Por outro lado, no caso das empresas com 40 a 99 empregados, consideradas pequenas no setor, a participação cresceu, respectivamente, de 10,4% para 17,9%. Mariana atribui esse aumento à maior participação das esferas municipais na contratação de serviços dessas empresas.
Os governos locais, segundo ela, contratam com maior frequência empresas de menor porte. A hegemonia dos grandes negócios, entretanto, permanece forte no universo pesquisado. Segundo o IBGE, em 2001 as 100 maiores empresas representavam apenas 2,1% do total de 4.636 empresas investigadas, mas participavam com 26% dos empregos e 58% do lucro líquido da construção, que alcançou R$ 3,7 bilhões naquele ano.
As comparações do desempenho do setor entre 1996 e 2001 foram limitadas a 1.467 empresas comuns aos dois anos. A conclusão da pesquisa, nesse caso, é que houve uma queda de 5% no pessoal ocupado no período e redução de 10% no valor dos salários médios pagos pelas empresas. O PIB do setor caiu 9%.

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