Rio de Janeiro – Após quatro meses em queda, o comércio varejista registrou ligeira reação em março, com alta de 0,28% em relação a março do ano passado, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O técnico do Departamento de Comércio do IBGE, Nilo Lopes, considera cedo falar em ‘‘recuperação’’, mas o dado de março pode indicar que as vendas no varejo ‘‘pararam de piorar’’. No trimestre, o comércio varejista registrou declínio de 0,77% em relação aos três primeiros meses de 2001 e o acumulado em 12 meses a queda ficou em 1,45%.
O melhor desempenho do comércio em março contrasta com a queda acentuada na indústria. Pelos dados do IBGE, a indústria registrou declínio de 3,8% em março em relação a março de 2001, de 2,2% no trimestre e de 0,7% em 12 meses.
Os dados do comércio varejista – que os técnicos definem como indicador antecedente, ou seja, que antecipa tendências – têm sido menos ruins do que os observados pela indústria.
Na opinião de Lopes, há ainda questões estatísticas para justificar o melhor desempenho do varejo em março. É que a Semana Santa deste ano caiu em março, o que sempre eleva o consumo de produtos como chocolate e bacalhau. No ano passado, a Semana Santa ocorreu em abril.
O técnico do IBGE considera que há alguns aspectos que podem ajudar na recuperação do comércio varejista, especialmente a proximidade da Copa do Mundo, as eleições presidenciais e questões específicas, como o Dia das Mães, em maio. Mas ele adverte que há obstáculos relevantes, como o alto nível de desemprego, que atingiu 7,1% da população economicamente ativa em março (era de 6,5% em março de 2001).
Além disso, a renda real da população caiu 6,3% nos 12 meses encerrados em fevereiro e a indústria continua apresentando comportamento negativo. ‘‘O comércio é muito dependente do poder de compra da população’’, observou.
Os dados do IBGE mostram que boa parte da recuperação do comércio resultou do bom desempenho da venda de combustíveis. Na avaliação do IBGE, ‘‘a redução dos preços dos combustíveis tem estimulado o consumo desses produtos’’, observa a nota oficial distribuída pelo instituto.

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