IBGE aponta queda de renda e emprego
Agência Folha
Do Rio de Janeiro
A renda do trabalhador brasileiro continuou em queda em julho, pelo oitavo mês consecutivo, e a taxa de desemprego subiu para 7,7% em agosto, contra 7,5% de julho, segundo o IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A diferença na taxa de desemprego de um mês para outro, segundo o instituto, é muito pequena estatisticamente. O índice é calculado com base em dados relativos à última semana anterior à pesquisa. Se considerada a taxa de desemprego com 30 dias de referência para a pesquisa, no entanto, o índice de agosto foi de 8,3% da população economicamente ativa, também maior que a taxa do mês anterior (8,1%). Agosto é um mês de poucas variações no emprego, explica a consultora do IBGE Shyrlene Ramos de Souza.
A taxa média de desemprego no ano está em 7,8%, equivalente à do mesmo período de 98. Já a perda na renda é uma tendência, que será mantida enquanto o desemprego estiver alto, na sua opinião. Quem estava desempregado, quando se recoloca no mercado, está ganhando menos, diz Shyrlene.
Os salários caíram 4,6% em relação a julho de 98 e 2% em relação a junho deste ano, informou o instituto. Ao longo deste ano, a renda caiu 4,1%, se comparada ao mesmo período de 98, reduzindo os ganhos do Plano Real apurados em julho para 19,1%, contra 25% do mesmo mês de 98.
Pelos dados do IBGE, apesar de a taxa de agosto ter ficado muito próxima do índice de agosto de 98 (7,8%), havia menos pessoas trabalhando (-0,7%) e à procura de emprego (-2,6%).
Em compensação, cresceu (6,5%) o contingente excluído da força de trabalho, grupo formado por estudantes, donas-de-casa, aposentados e pessoas que, por algum motivo, não estavam procurando emprego. Em julho, o índice de desemprego já havia recuado um pouco em relação ao de junho (7,8%) por causa do fator desistência.
Apenas um setor da economia registrou aumento de ocupação em relação a agosto do ano passado: serviços (0,6%), que no mês passado apresentara uma expansão mais acelerada (1,4%) na mesma comparação. Nos demais ramos, a ocupação continua em queda: construção civil (-6,6%), indústria de transformação (-2,2%) e comércio (-2%).
O IBGE também constatou que caiu o número de empregados com carteira assinada (-2,7%), enquanto se estabilizou o grupo dos sem carteira. Das seis regiões metropolitanas pesquisadas, Salvador teve a pior taxa e a maior variação. Passou de 10,2%, em julho, e de 9,1%, em agosto de 98, para 11,3% no mês passado.





