IBGE aponta inflação de 4,41% no ano
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terça-feira, 23 de dezembro de 1997
Agência Estado 
Rio de Janeiro
A inflação acumulada em 1997 é de 4,41% e, no ano que vem, deve ficar reduzida à metade deste índice, de acordo com técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Especial (INPC-E), é a menor de toda a série histórica do IBGE. O percentual só não foi mais baixo por causa, principalmente, dos aumentos de tarifas públicas, determinados pelo governo.
De 1995 até agora, a inflação vem caindo ao ritmo de 60% ao ano. Para 1998, os técnicos projetam uma taxa não superior a 2,5%, apesar do impacto das medidas do pacote fiscal, que já terá absorvido até janeiro, segundo estima a chefe do Departamento de Índice de Preços do IBGE, Marcia Quintslr. Para janeiro, ela prevê taxa inflacionária de 0,20%. Mas a melhor projeção é a de que as tarifas públicas, por terem sido majoradas ao extremo, especialmente por causa do processo de preparação para a privatização, não deverão ter tanto impacto na inflação de 98.
O realinhamento de preços fez com que a parcela do governo fosse a grande responsável pela inflação deste ano, diz Marcia Quintslr, chefe do Departamento de Índices de Preços do IBGE. Segundo ela, as maiores variações de preços foram constatadas entre produtos e serviços que não dependem de concorrência. A tarifa telefônica foi a principal vilã da inflação de 97, registrando uma variação de 98,08%. Outros itens que tiveram grande peso do cálculo inflacionário foram os combustíveis, com variação de 22,37%, e as passagens de ônibus urbanos, com aumento médio de 12,94%.
O primeiro semestre do ano concentrou a maior parte da inflação, fechando em 3,16%. Os reajustes nas tarifas de telefone incidiram no cálculo de quase todo o primeiro semestre, diz Eulina Nunes dos Santos, gerente do Departamento de Índices do IBGE. No segundo semestre, o resultado foi bem mais baixo: 1,21%. A variação de preços foi mais sentida entre as famílias com maior rendimento, por causa de reajustes relativamente altos verificados em produtos e serviços consumidos com maior intensidade por elas, como gasolina, telefone e cursos formais.
A inflação acumulada desde julho de 1994, quando foi criado o Plano Real, está em 70,93%. No cálculo das taxas acumuladas no período, o item Habitação continua sendo o que mais aumenta, com índice total de 332,11%. Mesmo registrando ainda reajustes significativos, estamos notando que os preços dos aluguéis estão apresentando uma tendência de seguir o ritmo de queda inflacionária, diz Marcia Quintslr. Em 1995, para uma inflação acumulada de 21,79%, os aluguéis subiram 87,22%; em 96, a relação foi de 9,77% contra 33,75% e, este ano, a inflação ficou em 4,41% enquanto os aluguéis tiveram variação de 8,66%.
Os outros itens que têm contribuído para desacelerar a queda do INPC são comunicações (278,02% acumulado no período do Real), hortaliças e verduras (158,80%), serviços pessoais (150,34%) e transporte público (124,89%). No sentido inverso, os preços de vestuário, artigos de residência, alimentação e bebidas, estão em queda e têm participação importante na contenção inflacionária. Juntos, estes grupos somam 45% no peso do INPC e, este ano, foram responsáveis por apenas 0,05 ponto percentual da taxa global.
Os técnicos do IBGE também constataram, pelo acompanhamento de preços desde a adoção do Plano Real, que os preços dos aparelhos de TV e de som têm caído ano a ano. Em 95, sob o impacto do crescimento do consumo, que chegou a motivar medidas restritivas por parte do governo, estes itens já apresentaram variação negativa de preços (-1,31%). Este ano, a queda foi ainda maior: -6,65. Os preços de todos os eletrodomésticos caíram 1,86%, mas os de TV foram os que mais sofreram redução: -17,24%.
Marcia Quintslr disse que ainda não foi possível medir a reação do consumo, depois da retração observada imediatamente após a alta dos juros determinada pelo governo. O 13º trouxe o efeito sazonal de aquecimento no consumo, mas ainda não há condições de medir a proporção disso em relação ao ano passado, diz ela. Só podemos afirmar por enquanto que em janeiro não teremos consumo superaquecido, mas também não vamos verificar a queda que estava sendo prevista quando foi anunciado o pacote fiscal, afirmou.
Leia sobre a inflação do ano na América Latina na página 3.


