IBGE anuncia desemprego de 7,8% no País em junho
Agência Estado
Do Rio
A taxa de desemprego aumentou para 7,84% em junho, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), depois de ter baixado para 7,7% no mês anterior. O índice ficou ligeiramente abaixo do de junho do ano passado, de 7,9%. Com o resultado, a taxa média de desemprego no primeiro semestre ficou em 7,82% - a maior já registrada desde que o instituto começou a pesquisar os níveis de emprego no País em 1983.
Paradoxalmente, o índice de junho foi resultado da percepção de que foram feitas novas contratações - o que incentivou pessoas que haviam desistido de procurar ocupação buscar novamente emprego. O mercado deu sinais de reativação, e as pessoas começaram a pressionar por trabalho, explicou a consultora econômica do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza.
O número de pessoas que estava fora do mercado de trabalho mas voltaram a procurar emprego aumentou em 4,3% em junho. Com este movimento, a População Economicamente Ativa (PEA) cresceu 1,2%. A PEA, que reúne tanto trabalhadores empregados quanto os que procuram vagas, é a base para o cálculo da taxa de desemprego. O número de pessoas que estavam foram da PEA reduziu-se 1,3%, na comparação com maio.
Na análise de Shyrlene, embora o desemprego tenha crescido, a pesquisa apresentou resultados favoráveis. O nível de trabalhadores ocupados subiu 1%. A quantidade de trabalhadores com carteira de trabalho assinada ficou constante, acrescentou.
A informalidade continua alta, mas pelo menos também está constante, disse. Estamos esperando que a situação melhore um pouco mais no segundo semestre. Segundo e economista, a não ser que haja uma grande alteração no quadro econômico, os níveis de emprego devem aumentar, por causa da redução da taxa de juros e do aquecimento da atividade produtiva, que tradicionalmente é maior na metade final do ano. A técnica lembrou que, embora a média deste semestre tenha sido a maior da série histórica, ficou apenas 0,01 ponto porcentual acima da registrada nos primeiros seis meses de 1998.
O ritmo das demissões na indústria de transformação também diminuiu em junho, de acordo com o IBGE, em relação ao mesmo mês de 1998. Por esta comparação, em maio, a queda do nível de emprego no setor foi de 5,4%, mas no mês passado, ficou em 2%.
No comércio, houve crescimento do nível de emprego de quase 1%. Não acredito que a taxa de desemprego vá aumentar mais, previu a economista. Temos setores de uso intensivo de mão-de-obra que estão se recuperando e os governos procuram qualificar os trabalhadores, explicou.
Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego foi de 8,94%, menor apenas do que as de Salvador (10,02%), das seis áreas pesquisadas. A economista explicou que, mesmo que as 78 mil contratações em junho em São Paulo tenham representado a maior marca, em termos absolutos, o momento difícil da indústria automobilística do Estado atrapalha a recuperação do mercado de emprego.
A pesquisa do IBGE mostrou também que o rendimento dos trabalhadores caiu 4,3% nos primeiros cinco meses do ano - apesar de ter ficado estável de abril para maio. No indicador acumulado do ano, as quedas mais acumuladas foram apuradas em Recife (5,8) e São Paulo (5,6%).
O Rio de Janeiro, com um grande contingente de idosos, funcionários públicos e trabalhadores da economia informal, que sofreram menos perdas de rendimento, teve a menor queda, de 3,8%. A comparação entre os primeiros seis meses do ano e o mesmo período de 1998 também apontou que o tempo médio de procura por emprego também aumentou, passando de 21 para 22 semanas. O porcentual de desempregados em busca de trabalho há 12 meses ou mais também elevou-se, de 13,16% para 14,97%, entre os dois semestres.





