Curitiba - O Banco Central (BC) apontou desaceleração da economia brasileira em maio na comparação com abril. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,18% em maio em relação a abril, segundo dados divulgados ontem pelo órgão. Já em relação a maio de 2013, o indicador avançou 0,38%. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o índice aponta alta de 0,7%, e nos 12 meses encerrados em maio, de 1,95%.
O IBC-Br incorpora estimativas para a produção nos três setores básicos da economia: serviços, indústria e agropecuária, assim como os impostos sobre os produtos.
Para o diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, o resultado de maio representa uma ‘’desaceleração preocupante’’. No entanto, ele disse que a queda registrada em maio era esperada. ‘’A indústria vai mal e o setor de serviços já apresenta alguma fadiga’’, justificou. O especialista acredita ainda que o desempenho de maio do IBC-Br também é reflexo da exaustão do consumo das famílias que estão, em sua maioria, endividadas.
Já o crescimento de 1,95% do IBC-Br para os últimos 12 meses, pode ser explicado porque esta análise leva em conta um período um pouco melhor da economia, ou seja, inclui dados de 2013.
Ele lembrou que a última previsão que o BC tinha realizado sobre o crescimento do PIB para o ano de 2014 era de crescimento de apenas 1,05%. ‘’Acredito que desta vez o BC vai acertar nesta projeção de 1% porque também não houve crescimento de vendas com a Copa do Mundo e os preços administrados, como os combustíveis, devem ser reajustados depois das eleições. Isso vai impactar a inflação e pode levar a aumento de juros, o que diminuiu mais ainda o consumo’’, analisou.
No primeiro trimestre do ano, os dados consolidados do PIB, tinham apontado um crescimento de apenas 0,2% frente aos últimos três meses de 2013. Ele explicou que, caso ocorram dois trimestres seguidos de queda, a economia pode ser considerada em recessão técnica, ou seja, estaria ‘’encolhendo’’.
Ele acredita que o resultado do PIB do 2º trimestre de 2014 vai apresentar recuo. Suzuki disse que nem a entrada do 13º salário no final do ano vai fazer a economia se recuperar. Também prevê que o PIB do Paraná vai desacelerar e ficar muito próximo do resultado nacional. ‘’A taxa de juros, o câmbio e a inflação é a mesma no Brasil e no Paraná. Não existe uma ilha de prosperidade. O Paraná deve fechar com o PIB pouco acima do Brasil’’, disse.
Com base nos dados do IBC-BR, o professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, prevê que o Brasil vai ter um crescimento muito baixo para este ano, na casa de 1%. Para o Paraná, ele prevê um crescimento um pouco superior ao do Brasil.
No primeiro trimestre do ano, o PIB do Brasil cresceu 1,9% na comparação com o mesmo período do ano passado. Já no Paraná, as estimativas preliminares do Ipardes apontaram um crescimento de 2,8%.
Já no primeiro trimestre do ano na comparação com o último trimestre de 2013, o PIB brasileiro cresceu apenas 0,2% e chegou a R$ 1,2 trilhão.

Imagem ilustrativa da imagem IBC-Br aponta retração da economia em maio