Recife - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinou, no final da tarde de ontem, o lacre e apreensão de oito toneladas do milho transgênico descarregadas no Porto do Recife. O restante de 17.850 toneladas do produto importado da Argentina por avicultores pernambucanos continuará sendo descarregado, mas a distribuição está temporariamente proibida.
O analista ambiental do Ibama-PE, Alberto José Rodrigues dos Santos, chegou à administração do Porto do Recife acompanhado de três fiscais do Ibama e três agentes da Polícia Federal para determinar a apreensão. O milho ficará sob a guarda do porto.
Para o vice-presidente da Avipe, Antonio Correia de Araújo, todas as medidas foram tomadas. Segundo ele, o Ministério da Agricultura enviou três comunicados ao Ibama. O primeiro, no dia 8 de abril, informando sobre as licenças de importação; o segundo, no dia 16, afirmando que o navio com o milho transgênico chegaria no dia 2, e o último, no dia 22, indicando a programação de distribuição e as granjas que iriam receber o produto para que todo o processo de descarga, transporte e armazenamento nas granjas pudesse ser acompanhado pelos fiscais do órgão. Inicialmente, o gerente do Ibama-PE, João Arnaldo Novaes, afirmou não ter recebido nenhum comunicado.
Para importar o milho, a Avipe conseguiu liminar na Justiça Federal permitindo a operação, que foi autorizada pelo Ministério da Agricultura e Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio), que controla os transgênicos no País. O setor de avicultura enfrenta crise de desabastecimento e a saca de 60 quilos do cereal comprado à Argentina custa R$ 10,00 a menos que o milho adquirido no Sul do País.
Para o presidente da Avipe, Edílson Santos Júnior, a importação do transgênico é a única saída para a sobrevivência da atividade. Nos últimos seis meses foram fechadas mais de 170 granjas no Estado, desempregando cerca de 17 mil pessoas - direta e indiretamente. A produção de frango caiu 30% no período.

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