Iapar vai desenvolver café modificado
Mário CésarVieira: Falta de recursos trava desenvolvimento de pesquisas com plantas modificadas geneticamenteO Iapar também está desenvolvendo pesquisas na área de transformação genética de plantas. Segundo o pesquisador Luiz Gonzaga Esteves Vieira, o instituto trabalha nesta área com o café, algodão, feijão e mandioca.
Vieira afirma que o Iapar deve centrar seus esforços no desenvolvimento de pesquisas com o café. O pesquisador diz que a pesquisa está buscando, através da transformação genética da planta, um cafeeiro que tenha resistência a aplicação de herbicidas e que apresente um amadurecimento uniforme dos frutos.
Ele explica que o gene do café responsável pelo amadurecimento será manipulado de tal forma a retardar o processo e com isso será possível obter num mesmo ramo o maior número possível de café cereja. Desta forma o café poderá ficar mais tempo no pé sem cair no chão e o aumento de café cereja vai garantir melhor qualidade para o produto, afirma. Ele observa que esta mesma técnica foi utilizada nos Estados Unidos para desenvolver o tomate longa-vida.
Vieira diz que o projeto do café transgênico foi desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa. O projeto já foi apresentado ao Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, comenta.
O pesquisador diz ainda que o Iapar também está para firmar um convênio com a empresa Cyanamid. Vieira afirma que com o convênio, o instituto poderá ter acesso a materias geneticamente transformados. O convênio com a Cynamid deve ser assinado ainda este mês, afirma.
Mas ele afirma que o Iapar enfrenta dificuldades com recursos. O Paraná está ficando para trás em relação a institutos de pesquisas de outras partes do País, afirma. Ele observa que o Paraná é o único estado que não destina os 2% da sua arrecadação para o desenvolvimento de ciência e tecnologia. O Paraná ainda tem muito que crescer. O Iapar só conseguiu montar seu laboratório para desenvolvimento de pesquisa na área de biotecnologia há sete meses, comenta.
O pesquisador do Iapar reclama da falta de autonomia do instituto para contratar pessoas para trabalhar em projetos desta natureza. As pesquisas na área de biotecnologia apresentam mudanças muito rápidas e não temos chance de acompanhar estas inovações, afirma. Ele diz que o Brasil terá de continuar pagando por tecnologias por muito tempo se não houver uma mudança na mentalidade dos governantes. Não adianta ter matéria-prima se não agregarmos valores, diz.
Segundo Vieira, o desenvolvimento de biotecnlogia e sua transformação em produto é muito cara, e no Brasil este fator vai determinar novos papéis para os institutos públicos de pesquisas. Ele afirma que o desenvolvimento de plantas com gene do Bacillus thunigiensis , que dá resistência à planta contra ataque de lagartas, custou mais de US$ 20 milhões. O orçamento do Iapar de um ano inteiro é de US$ 14 milhões, afirma.
Para Vieira, o futuro dos institutos de pesquisas no Brasil será o de desenvolver pesquisa de base, como o isolamento de genes de interesse. Mas a transformação em produto deverá ficar com empresas privadas devido ao alto custo do processo. Além de desenvolver a pesquisa básica, os institutos de pesquisa público também terão como tarefa testar a validade ou não das tecnologias que o País vier a importar.(G.R.)





