Com a queda de temperatura no último fim de semana, causada por uma frente fria, em pleno início do outono, aumenta a expectativa sobre o rigor do inverno de 2001. Mas, segundo o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), neste ano devemos ter um inverno normal, com temperaturas médias na região norte de 16,6 graus em junho e 16,8, em julho, o que não afasta a possibilidade de geadas. Nas demais regiões são previstas quedas mais bruscas de temperatura.
No município de Palmas, considerado o mais frio do Paraná, a temperatura poderá chegar a 6 graus negativos. ‘‘Nos últimos 25 anos temos constatado a predominância do risco de geadas intensas a cada seis anos, o que ‘teoricamente’ descartaria a possibilidade disso ocorrer em 2001’’, ressaltou o pesquisador da área de agrometeorologia do Iapar, Paulo Caramori.
No ano passado, geadas que ocorreram entre os dias 13 e 17 de julho atingiram o Estado, com mínima de 1,2 graus centígrados negativos, ocasionando muitos prejuízos aos agricultores, principalmente aos produtores de café - dos 2,8 milhões de sacas de café estimadas para a safra 2000, foram colhidas 2,1 milhões de sacas. E a previsão para a colheita da safra 2001 é de 430 mil sacas - 85% a menos da capacidade do Estado (2,9 milhões de sacas), pois muitos pés de café foram erradicados.
O milho safrinha teve redução de 62%, fechando a safra com 1,3 milhão de sacas; a safra de trigo totalizou 570 mil toneladas (66% menor do que o esperado), sendo que a maior parte da cultura estava na fase de floração e frutificação. ‘‘Uma das maneiras do agricultor se proteger é respeitar a área de zoneamento indicada pelos órgãos estaduais e plantar na época recomendada, embora sempre exista o risco de ocorrer geadas, por mais modernos que sejam os equipamentos meteorológicos’’, afirmou a engenheira agrônoma Vera Zardo, responsável pela coordenação da divisão de conjuntura agropecuária do Deral.
O corretor de café, Marcos Bacetti, considera difícil encontar um consenso seguro nas previsões meteorológicas. ‘‘Eu sugiro que o agricultor consulte várias fontes, pois os termos técnicos são iguais, embora os números relatados não sejam.’’
Geada negraEm 1975, o Paraná foi alvo da maior geada já ocorrida no Estado, com temperatura mínima de 3,5 graus centígrados negativos na madrugada do dia 18 de julho, devastando as plantações de café que predominavam na região. Naquele ano foram colhidas 10,2 milhões de sacas de café antes da geada ocorrer, mas em contra-partida foram colhidas apenas 3,8 mil sacas no ano seguinte.
‘‘O impacto foi muito grande para o Estado que tinha uma economia agrícola baseada na cafeicultura. Hoje temos uma maior diversificação de culturas agrícolas, o que representa mais alternativas para o produtor’’, ressaltou a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi.
O Iapar, em parceria com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), está colocando à disposição dos agricultores a partir de quinta-feira boletins meteorológicos e estudos de métodos de proteção contra geadas em mudas novas de café pelo site www.pr.gov.br/iapar.

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