Iapar pode deixar de ser autarquia estadual
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Vânia Casado Sucursal de Curitiba 
O Instituto Agronômico de Pesquisas do Paraná (Iapar) poderá deixar de ser autarquia do governo estadual para se transformar numa agência social, de utilidade pública, autônoma e sem fins lucrativos. O projeto, que ainda está tramitando na Secretaria da Administração, ganhou força ontem, quando o assunto foi colocado em pauta, durante a exposição do plantio do café adensado, feito pela diretoria da instituição.
Para o secretário da Agricultura, Hermas Brandão, a alteração do perfil jurídico do Iapar seria a fórmula ideal para que a instituição pudesse atrair recursos para gerar a pesquisa. Segundo Brandão, o Iapar vem se dedicando em prestar um serviço para a iniciativa privada que deveria ser cobrado.
Para o presidente do Iapar, Wilson Pan, com a reordenação jurídica, o Iapar passaria a ter um contrato de gestão com o governo do Estado, em substituição às dotações orçamentárias. Por esse contrato, o governo irá definir o que quer da pesquisa agropecuária para o Estado, em quanto tempo e a instituição, por sua vez, vai estabelecer os custos desse trabalho e fixar um período para apresentar os resultados.
Nessa mudança de forma, no entanto, é imprescindível que o Iapar tenha autonomia administrativa, financeira e de recursos humanos, salientou Pan. Ele afirmou que a receita obtida será investida no sustento dos projetos de pesquisas, aquisição de equipamentos e na melhor remuneração para os funcionários. Outra forma de atrair recursos são os convênios que poderão ser firmados com agentes de financiamento em nível nacional e internacional. Citou como exemplo o trabalho de zoneamento agrícola que o Iapar fez no Paraná e que foi considerado modelo para todo o País. Se o Iapar já fosse uma agência, poderia vender a pesquisa ou então levar essa capacitação para outras instituições estaduais. No cenário internacional, poderia buscar recursos junto a FAO, BID, Bird.
Para se ter uma ideía, o Iapar desenvolveu o mais eficiente sistema de conservação e manejo e solos e água feito até hoje no País, que é cobiçado por muitos países da América Latina. Para Wilson Pan, essa tecnologia deveria ser repassada pela instituição para que a pesquisa seja fortalecida, resultando em benefícios a todos os funcionários, e não individualmente como vem acontecendo. Ele lembrou que atualmente, pelo menos dois pesquisadores do Iapar estão prestando serviços individuais para outros países da AL, o que contraria a proposta da criação da agência.
Força para o café A partir do ano que vem, o Paraná poderá vislumbrar a possibilidade de voltar a ser um dos primeiros colocados na produção nacional de café, graças à introdução da técnica do plantio adensado, desenvolvida pelo Iapar. Isso porque em 1998 a área ocupada poderá alcançar 25 mil hectares com o plantio de 200 milhões de novas mudas. A técnica, já consagrada, e as boas cotações do produto no mercado internacional estão provocando uma certa euforia entre os produtores que estão retornando à cafeicultura.
Mas essa técnica foi desenvolvida pelos pesquisadores do órgão, para que a cultura possa se sustentar inclusive em período de cotações baixas, salientou Florindo Dalberto, diretor técnico e científico do Iapar. Trata-se de um conjunto de medidas que não se restringe ao plantio de mudas num espaço reduzido de área, alertou. Mas sim, a adoção de uma variedade de técnicas como a proteção contra os efeitos da geada, semente melhorada, a redução do uso de produtos químicos no combate às pragas e doenças e a introdução da lavoura dentro de um modelo de diversificação.


