Iapar lança laranja transgênica
O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) anunciou ontem a criação de uma variedade comercial de laranja transgênica com resistência ao cancro cítrico. O trabalho, pioneiro no Brasil, começou há dois anos e envolveu técnicos do Iapar e bolsistas do Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNPq).
O processo de modificação genética da laranja foi realizado através de uma técnica de regeneração e transformação a partir de tecidos vegetais maduros e de cultivares comerciais de laranja pêra. Dentro deste processo, os pesquisadores conseguiram inserir o gene stx IA, que é resistente à diversas bactérias, entre elas, a Xanthomonas axonopodis, que causa o cancro cítrico. O gene utilizado nas pesquisas foi fornecido através de um acordo com o National Institute of Agrobiological Resources, no Japão.
Ainda não podemos afirmar que vamos erradicar o cancro brasileiro, mas os resultados que estamos obtendo nas pesquisas laboratoriais representa um grande avanço na área de biotecnologia brasileira, afirmou o pesquisador do Iapar, Luiz Filipe P. Pereira.
Por enquanto, as pesquisas estão sendo realizadas em nível laboratorial, e com cultivares em estufas especias, que seguem determinações de segurança da Comissão Técnica Nacional de Biotecnologia (CTNBio), mas os técnicos acreditam que dentro de cinco anos já será possível fazer pesquisas em campo. Na verdade, pode levar até dez anos para que tenhamos resultados conclusivos suficientes para embasar a possibilidade de utilização dessa tecnologia na produção de laranjas, o que depende da avaliação e autorização estrita da CTNBio, disse o pesquisador Luiz Gonzaga Vieira.
Para dar continuidade às pesquisas, os pesquisadores reforçaram a necessidade de apoio financeiro estadual. É importante que toda sociedade tenha consciência que o trabalho de pesquisa é a longo prazo, não podemos ficar em uma política de vai e vem, disse o presidente do Iapar, Florindo Dalberto. Ele também destacou que mesmo que a CTNBio proíba o cultivo e comercialização de produtos transgênicos, há uma grande expectativa no meio científico que a liberação venha a ser efetivada.
Segundo o chefe da Divisão Sanitária Vegetal do Paraná, Hamilton Antonio Keller, no ano passado, o governo federal liberou R$ 5 milhões para campanhas de controle do cancro cítrico somente para o estado de São Paulo. Em 2000, cerca de 15% dos 12 mil hectares de cítricos do Paraná tiveram manifestações da doença, mas foram controlados. O ideal seria uma verba de R$ 800 mil para manter um controle efetivo do cancro, verba que o Estado não tem condições de bancar, ressaltou o chefe estadual da Campanha Nacional de Combate ao Cancro Cítrico (Canec), José Croce Filho.





