PersistênciaArmando Androcioli: ‘‘No início houve muita resistência à tecnologia. Chegamos a ser vaiados em palestras’’As primeiras lavouras experimentais com café adensado foram plantadas no Iapar pelo pesquisador Armando Androcioli Filho, em 1975. A pesquisa buscava alternativas para o sistema tradicional que já era caro e com baixa produtividade. ‘‘O experimento mostrou que havendo tecnologia poderíamos plantar até 14 mil plantas por hectare’’, diz Androcioli. Segundo ele, houve muita resistência por parte de engenheiros agrônomos, técnicos e produtores. ‘‘A gente era vaiado quando falava de café adensado em palestras’’, lembra.
A partir de 1980, as pesquisas com café foram redirecionadas, o trabalho com colheita mecânica foi abandonado e o estudo de espaçamentos foi intensificado. ‘‘Percebemos que a cafeicultura tinha de ser feita em áreas altas e em pequenas propriedades’’, diz. O espaçamento foi fixado em 2,5 X 2 metros para todo Estado. Alguns produtores aderiram, mas mesmo assim houve resistência. ‘‘Na época o produtor era protegido e não havia sofrido com a pressão de preços’’, diz.
Com o desenvolvimento da variedade Iapar 59 (resistente à ferrugem), pelo pesquisador Tumoru Sera, a pesquisa começou a trabalhar com adensamento maior. Em 1985, Androcioli foi para Costa Rica para fazer mestrado, e viu que aquele país utilizava o adensamento desde 1950. ‘‘Em pouco tempo eles conseguiram passar de 900 plantas/ha para 14 mil plantas/ha e obtiveram a maior produtividade do mundo. Sabia que tínhamos condições de adaptar a técnica no Paranᒒ, conta.
Além da Costa Rica, outros países da América do Sul e Central empregava a técnica, mas com espaçamento fixo. ‘‘A forma de ajustar o espaçamento de acordo com a região e a variedade disponível foi desenvolvida pelo Iapar. Nestes países, a técnica não respeitava as diferenças de solo, micro-clima, altitude e as condições do produtor’’, afirma.
Em 1989, quando os preços do café caíram para US$ 35,00/40,00 a um custo de produção superior a US$ 60,00, o café adensado passou a ser visto com melhores olhos pelos produtores. Já que a técnica permitia trabalhar com custos entre US$ 35,00 e R$ 40,00/saca. ‘‘Todos os fatores de resistência se tornaram fatores de estímulo para que a técnica fosse adotada’’, diz.
O pesquisador diz que além do preço outros fatores contribuíram para que o interesse pela técnica crescesse mais rapidamente. Ele diz que antes mesmo de o Iapar começar a recomendar o adensamento, dois produtores do Norte do Paraná, Luiz Marcos Suplicy Hafers, presidente da Sociedade Rural Brasileira, e Nelson Rivelim, adotaram a técnica por iniciativa própria, e estimularam outros produtores a aderirem ao adensamento.
Androcioli diz que o Plano de Revitalização da Cafeicultura teve com prioridade inicial aumentar a produtividade e reduzir os custos. ‘‘Tínhamos que avançar nestes dois pontos para que o produtor pudesse ter condições de investir nas tecnologias que garantem a qualidade. Hoje o produtor está consciente porque sabe que diferença de preço é grande, então ele já faz duas colheitas no pano, colhe mais cedo’’.
O pesquisador diz que agora a pesquisa trabalha em ajustes da tecnlogia e começa a desenhar cenários para o futuro. Entre os desafios da pesquisa, Androcioli destaca os problemas com mão-de-obra, que no futuro tende ser mais cara, definição de qualidade de origem, questões ecológicas e a mecanização de café adensado.

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