Fundado em 1972, o Iapar enfrentou sérios problemas nos últimos anos para desenvolver seus objetivos entre os quais o principal é o desenvolvimento de estudos e pesquisas sobre produtos, processos e sistemas de produção agropecuária. Sem respaldo do Palácio Iguaçu durante a administração do ex-governador Jaime Lerner que durou oito anos , a autarquia estadual que tem sede em Londrina sofreu com o sucateamento da infra-estrutura, orçamento reduzido e enxugamento do quadro de pessoal. Agora, ao fim do primeiro ano do governo de Roberto Requião, o engenheiro agrônomo e presidente do Iapar, Oanur Ruano, diz acreditar que o pior já passou.
Folha Qual é o principal problema do Iapar?
Ruano É o da falta de pessoal; de enxugamento do nosso quadro funcional ao longo dos últimos anos, por vários motivos, e falta de reposição de mão-de-obra, principalmente a mais especializada. Chegamos a contar com quase 1.500 funcionários, no fim dos anos de 1980. Em 1997, o Plano de Carreira, Cargos e Vencimentos (PCCV), definiu o número de vagas em 1.076. Hoje, seis anos depois, estamos com 857 funcionários (dos quais 110 pesquisadores, na sua quase totalidade com mestrado e doutorado).
Folha Por que o Iapar perdeu tantos funcionários?
Ruano Em parte, por motivos que sofrem todas as empresas: mortes, mudanças, troca de emprego. Mas também por dois motivos mais atuais e graves: 89 se aposentaram neste ano, com medo da reforma da Previdência em discussão em Brasília; e muitos outros em troca de maiores salários na iniciativa privada ou outros órgãos oficiais de pesquisa.
Folha Os salários estão muito achatados no instituto?
Ruano Demais. Desde a adequação da tabela do PCCV em 1997, não tivemos nenhum reajuste nos salários. Nestes seis anos, pelos índices oficiais de inflação, a perda do poder de compra de nossos salários está em 64%. Nossos salários variam de R$ 400,00 (no piso) a R$ 3.300,00 para pesquisadores com pós-doutorado e muitos anos de Iapar.
Folha Qual outro problema preocupa a direção do Iapar?
Ruano Desde 1994, nosso orçamento anual só fez abaixar. Neste ano, o orçamento aprovado no governo anterior foi de R$ 27 milhões; em números redondos. Destes, R$ 19 milhões foram para a folha de pagamento integralmente garantida pelo Tesouro do Estado. O governo repassou ainda R$ 2 milhões para custeio e investimentos; para o que tivemos que buscar outros R$ 6 milhões em outras fontes.
Folha E a situação da infra-estrutura?
Ruano Ela é muito grave. Não recebemos nenhum investimento significativo em novos laboratórios e equipamentos nos últimos 8 anos. De acordo com levantamentos, para recuperar, reformar e renovar nossos prédios, laboratórios, equipamentos e frota apenas das estações experimentais seria necessário um investimento de aproximadamente R$ 14 milhões.

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