O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), está fazendo cruzamento entre trigo e milho, um avanço na pesquisa em biologia celular que, através de plantas haplóides, leva à obtenção de variedades de trigo mais resistentes à doenças e mais produtivas, em menor espaço de tempo.
Segundo o pesquisador Yeshwant R. Mehta, com a nova técnica é possível encurtar em quatro a cinco anos o tempo de criação de uma nova variedade. Ontem, o cientista fez uma explicação à imprensa sobre o processo de criação de plantas haplóides, também conhecido como ‘‘resgate de embriões’’ ou ‘‘eliminação de cromossomos’’, envolvendo cruzamento entre as duas gramíneas.
O presidente do Iapar, Florindo Dalberto, disse que o avanço da tecnologia expressa os investimentos e o apoio do governo do Estado através da Secretaria da Agricultura. O sistema é inédito no Brasil. Enquanto o procedimento para fixar as gerações segregantes (seleção das melhores plantas) leva até 12 anos, o novo método - através de plantas haplóides - reduz este tempo em 70%.
Economia e ambiente Ao apresentar aos jornalistas o pesquisador Mehta, introdutor da nova técnica, o diretor técnico e científico do Iapar, Rogério Cardoso, destacou a importância de tecnologias que: a) reduzam o prazo de obtenção de resultados, b) dispensem o uso de produtos químicos, em benefício do ambiente, c) selecionem plantas que reúnam atributos como produtividade e qualidade. A agricultura e a sociedade são beneficiados por estas conquistas. E quando estas conquistas contemplam o trigo, os ganhos são ainda mais significativos uma vez que o Brasil importa 80% do trigo que consome, segundo o diretor Rogério Cardoso.
O pesquisador Yeshwant R. Mehta e sua equipe dominam a tecnologia de obtenção de plantas haplóides, abrindo perspectivas na criação rápida de novas variedades resistentes às principais doenças de trigo. São inúmeras as vantagens da haplodiploidização, principalmente na área de melhoramento genético, a pesquisa neste campo será intensificada.
Pelo novo processo, as plantas resistentes de trigo são ‘‘emasculadas’’, ou seja a parte masculina é retirada antes da abertura da flor, e as espigas são isoladas de modo a evitar a polinização com o pólen do milho. O pólen do milho germina e fecunda o ovário de trigo e, dentro de 12 a 14 dias, formam-se os grãos. (A explicação completa da nova técnica o leitor encontrará na Folha Rural .Dorico da SilvaO cientista Mehta, do Iapar, ontem: plantas haplóides encurtam prazo para obter trigo idealDa Redação

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