Iapar ameaça competitividade do PR
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sábado, 18 de junho de 2005
Vera Barão<br>Reportagem Local 
O pesquisador Carlos Roberto Riede está aposentado, mas continua trabalhando voluntariamente no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) há mais de um ano. Motivo para tanta dedicação: não deixar que o projeto de melhoramento genético de cereais de inverno se perca após quase 30 anos de pesquisa. ''Isso aqui é a minha vida. Trabalhei neste projeto 30 anos e agora não tem ninguém para dar continuidade. Enquanto não se contrata ninguém, virei aqui todos os dias, das 8 às 17 horas'', afirma Riede, que tem mestrado e doutorado nos Estados Unidos.
O projeto conduzido por Riede tem o apoio da Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária, mas não é o suficiente para continuar. Há necessidade com urgência de pessoal de campo e de apoio à pesquisa para poder prosperar. Esse é apenas um exemplo da precária situação do Iapar, que atravessa sua pior crise administrativa, gerencial e financeira nos últimos 10 anos. Assim como o projeto de Riede, outros 58 projetos, estimados em R$ 1,2 milhão, estão ameaçados pela falta de pessoal, estrutura e equipamentos. Além dele, pelo menos outros 10 pesquisadores trabalham voluntariamente no Iapar para não deixar tantos anos de pesquisa morrer.
Na opinião dos pesquisadores não há um projeto em pior situação que outro, porque todos estão se desmantelando com a falta de pessoal. Embora o Iapar tenha várias fontes de financiamento para a pesquisa, além do governo estadual, os projetos estão comprometidos com o sucateamento do órgão e a falta de gente no quadro funcional para dar apoio à pesquisa. Sem tirar a importância de nenhuma dos trabalhos, existem projetos da área de solo, por exemplo, que são desenvolvidos na Itaipu e Petrobrás ao custo de R$ 3 milhões.
O Consórcio Café, com recursos do Fundo de Defesa do Cafeicultor, também corre o risco de parar. Sendo o Iapar uma instituição conhecida em nível nacional pelas suas pesquisas, os pesquisadores temem que o órgão perca inclusive a credibilidade e sofra efeito direto na captação de recursos externos. A situação caótica se estende também para a área agrícola que desenvolve vários protótipos de máquinas, entre tantos outros projetos como o de bionergia que enfrentará sérias dificuldades para viabilizar a matéria-prima (grãos de oleaginosas) pela impossibilidade de desenvolvimento a tecnologia de produção para as espécies oleaginosas não tradicionais no Estado.
''Imagine a importância da pesquisa de melhoramento genético de cereais para o Estado, cuja área de trigo (1,2 milhão de hectares) já chegou a utilizar quase 70% das variedades desenvolvidas no Iapar'', exemplifica Pedro Shioga, pesquisador da área de fitotecnia. Para o pesquisador Arnaldo Colozzi Filho, todo esse ''boom'' que o agronegócio viveu nos últimos três anos no Estado é fruto de um processo de investimento de 30 anos em pesquisa. ''O padrão de tecnologia disponível hoje não é por acaso. Se esta situação não for contornada a tempo teremos reflexo daqui para frente na produtividade agrícola. Com isso, o Paraná vai ter ameaçada a sua competitividade'', enfatiza o também pesquisador Dimas Soares Júnior.


