Curitiba - Se depender do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o secretário do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, não vai permitir o reflorestamento de pinus em determinadas áreas da região Sul do Estado, reivindicadas por empresários do setor madeireiro e prefeitos. A decisão será conhecida em reunião, no próximo dia 16, quando os empresários vão apresentar sugestões para a minuta de uma nova resolução, que devem estar de acordo com as exigências do código florestal.
Os empresários do setor madeireiro estão dispostos a recorrer à Justiça, para se ressarcirem dos prejuízos provocados com a falta de emissão de liberações para o corte e plantio de florestas, atividade paralisada há sete meses no Estado. O secretário Cheida prometeu solucionar esse impasse com a elaboração da minuta do Novo Código Florestal, que vem sendo prorrogado com a edição de várias portarias.
O presidente do IAP, Rasca Rodrigues, adiantou que pretende manter o controle rigoroso em áreas de remanescentes florestais, principalmente na região Sul, onde se concentra o bioma da Araucária. Segundo ele, as intervenções, ''se houverem devem ser cirúrgicas e com manejo que não provoca impacto na floresta que está se restabelecendo''.
Rasca descartou a autorização para reflorestamento com pinus em áreas de capoeira, como estão querendo os empresários. ''É preciso verificar a espessura das árvores, já que a maior parte das áreas de capoeira, já tem árvores formadas que não podem ser derrubadas''. Segundo Rasca, muitas áreas apresentadas como sendo de capoeiras, pelos empresários, são ocupadas por bracatinga, que é pioneira da mata nativa. ''A bracatinga é pioneira de uma floresta que queremos'', informou.
Em relação às áreas com capoeira comum, Rasca disse que não vê impedimentos para o plantio de pinus. ''Mas o que não pode é reflorestar na boca da serra'', avisou. Segundo Rasca, são essas as áreas mais procuradas pelos empresários porque são mais baratas e próximas do parque industrial madeireiro. Segundo o presidente do Iap, os madeireiros podem reflorestar em Guarapuava ou em outros municípios da região Centro-Sul do Estado, onde não será caracterizada a troca da mata nativa por espécies exóticas.
O presidente da Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (APRE), Roberto Gava, disse que a região Sul do Estado seria beneficiada com a criação de empregos. Segundo ele, a silvicultura gera sete empregos por hectare, situação que pode estancar o processo acelerado de perda da população rural. De acordo com Gava, o Paraná está perdendo 20% da população rural por dia.

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