IAP passa a exigir selo para transporte de madeira
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 25 de fevereiro de 1997
Sucursal de Curitiba 
O transporte de matéria-prima de origem florestal - toras, lenha e palmito - vai mudar. A partir de 1º de março, os órgãos de fiscalização do meio ambiente do Estado do Paraná vão conferir se todo o material tem o selo emitido pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), atestando a origem e a legalidade do corte.
A exigência do selo faz parte das medidas adotadas para tentar reverter o déficit atual na produção de madeira e a exploração ilegal do palmito. O Paraná teve um déficit florestal de 46.709 hectares no ano passado. É a diferença entre o que se consumiu de florestas e o incremento de novos reflorestamentos. Sem atenção imediata por parte de governo e empresários, a estimativa de engenheiros florestais é que a partir do ano 2000 o Estado não terá mais matéria-prima para produzir papel, móveis e energia (panificadoras e olarias).
De acordo com levantamento do IAP, realizado em 1994, o Paraná consome anualmente 19,2 milhões de metros cúbicos de madeira. Toda a produção, proveniente de 71.246 hectares, tem destinações diversas, como produção de energia, papel e celulose, serraria e compensados e laminados.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Madeira (ABPM), Vasco Flândoli Sobrinho, se o Paraná fosse cumprir à risca o Código Florestal, deveria ter plantado no ano passado 17 mil hectares de florestas e, no entanto, plantou apenas 6 mil hectares.
O primeiro passo para receber o selo do IAP é a empresa obter o certificado de registro da empresa junto ao próprio instituto. Quem for flagrado transportando matéria-prima de origem florestal sem o selo será multado. O valor da multa corresponderá sempre ao valor da carga. Com a emissão do selo, a empresa será obrigada a garantir a reposição florestal por plantio ou por pagamento de cotas correspondentes ao reflorestamento.
Segundo o diretor do Departamento de Desenvolvimento Florestal do IAP, Luiz Carlos Herde, o selo é na verdade um compromisso de reposição assumido pelos consumidores de matéria-prima florestal, através do Sistema Estadual de Reposição Florestal Obrigatória (Serflor). O trabalho (de recuperação florestasl) será mais rápido porque estaremos gerenciando a reposição no próprio local onde se consome a matéria-prima, afirma Herde.


