O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) iniciou ontem os estudos de impacto ambiental nas seis propriedadess confirmadas com focos de febre aftosa. Ontem, a visita foi na Fazenda Santa Izabel, em Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana); hoje, a comissão estará em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina), na Fazenda Flor do Café; no início da semana, os técnicos estarão em Maringá, nas propriedades Cesumar e Pedra Preta. Em Loanda (102 km a oeste de Paranavaí) - nas fazendas Alto Alegre e São Paulo - as visitas ficarão para quarta-feira.
Segundo o chefe da regional do IAP em Londrina, Ney Paulo, a comissão é formada por profissionais do IAP e da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa). ''Os laudos serão feitos em caráter de urgência e serão divulgados em poucos dias'', disse. Apesar da visita ontem em Grandes Rios, os trabalhos não foram concluídos. Somente o técnico do IAP compareceu; o geólogo ficou de visitar a propriedade no final da tarde de ontem o que não aconteceu, inclusive, atrapalhando a rotina da propriedade.
Por sugestão do proprietário da fazenda Bruno Alexandre Von Der Leyen foi escolhida uma área no ponto mais alto da propriedade para a abertura da vala, onde os bovinos serão enterrados. No entanto, o local também tem que ser analisado pelo geólogo. Segundo ele, a comissão de avaliação do rebanho deverá visitar a fazenda na quinta-feira. A Superintendência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou que os membros da comissão de avaliação foram nomeados ontem através de um boletim interno.
Doze pessoas farão os trabalhos: quatro técnicos do Mapa, quatro da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab) e quatro da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Serão formadas três comissões, mas sem nomes previamente estabelecidos. A intenção é compor o grupo a partir da disponibilidade de cada membro. Segundo o superintendente do Mapa, Walmir Kowaleswki de Souza, a comissão de avaliação começa a trabalhar na segunda-feira e a expectativa é que as avaliações sejam feitas em cinco dias.
Recursos - O governador Roberto Requião (PMDB) autorizou na noite de quinta-feira a liberação de recursos - R$ 786.200,00 - para cobrir os gastos com o sacrifício sanitário dos 6.412 bovinos das sete propriedades (as seis já citadas e a Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira) onde os focos de aftosa foram decretados. A verba cobrirá as despesas com a abertura das valas, a necropsia de alguns dos animais que serão sacrificados, alimentação e hospedagem da equipe técnica que atuará na operação, compra de macacões descartáveis e aquisição de manta impermeabilizante exigida pelo IAP.
Além disso, tratores e caminhões que abrirão as valas serão disponibilizados pelas prefeituras dos cinco municípios envolvidos no problema. Já o Sindicato das Indústrias de Carne e Derivados (Sindicarne) irá ceder dez faqueiros para fazer a sangria dos animais.
O primeiro foco de aftosa no Paraná foi apontado na Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira. O proprietário, André Carioba Filho, obteve da Justiça liminar obrigando o governo a liberar, antes do sacrifício do seu rebanho, metade do R$ 1,28 milhão pelo qual foi avaliado. A liminar foi concedida pela 3 Vara da Justiça Federal de Londrina e confirmada pela 4 Turma do Tribunal Regional Federal de Porto Alegre.
Segundo a Agência Estado, Carioba informou que vai retirar a ação. A Fazenda Cachoeira, de acordo com o diretor-geral da Secretaria de Agricultura, Newton Pohl Ribas, deverá ser a primeira a ter o rebanho - formado por 1.795 animais - sacrificado, pois o processo em relação a essa propriedade está mais adiantado que nas demais. Procurado pela reportagem da Folha, o advogado do pecuarista, Ricardo Jorge Rocha Pereira, afirmou que a retirada da ação nunca foi cogitada e que prevalece a decisão judicial do depósito antecipado para realização do abate sanitário. (Com Agência Estado)

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