Pequenos produtores rurais do litoral do Paraná estão trocando o corte clandestino de palmito, pelo plantio orientado com potencial para se tornar uma boa fonte de renda. Para um plantio mínimo de 100 palmeiras por hectare, a perspectiva de rendimento é de R$ 300,00 por hectare/ano. Utilizando tecnologia, o rendimento para o produtor pode alcançar R$ 800,00.
Cerca de 1.000 famílias de produtores rurais dos municípios de Morretes, Antonina, Guaratuba e Guaraqueçaba estão envolvidas neste projeto, fomentado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Em seis meses de execução, essas famílias coletaram 15.000 quilos de sementes de palmito na floresta, que foram transformadas em 1,5 milhão de mudas. Elas foram distribuídas em seis viveiros do litoral e cada produtor pode retirar até 100 mudas, sem custo. Acima disso, o produtor vai pagar R$ 0,5 cada muda.
O IAP também quer incentivar o plantio de mudas de palmito no perímetro urbano dos municípios litorâneos, fornecendo até 10 mudas para os moradores interessados.
Para o produtor que está habituado a fazer o corte clandestino de palmito na floresta, é difícil se adaptar à espera de seis a dez anos, período previsto para o desenvolvimento da palmeira, admitiu Sergio Bittencourt, do departamento de Desenvolvimento Florestal do IAP. Para mudar essa cultura, o IAP está apostando na educação ambiental.
Os técnicos vão ensinar os produtores a utilizarem a área de floresta das propriedades para fazer o plantio. Com isso ele vai deixando aos poucos de fazer o corte clandestino. Para Bittencourt é a primeira vez que o IAP decide enfrentar o problema do corte clandestino de palmito. ‘‘ Em vez de soltar a fiscalização na mata, vamos ensinar os produtores a tirar proveito dela’’, explicou. O técnico calcula que o nível de reposição, da ordem de um milhão de mudas por ano, será maior do que o corte clandestino.
Como resultado desse trabalho, as comunidades rurais dos municípios do litoral estão se organizando para industrializar o palmito de forma comunitária.
Nos últimos anos tem sido frequentes as reclamações de proprietários da região contra roubos - cortes clandestinos - de palmidos. Eles acusam as fábricas de fundo de quintal. O corte clandestino ocorre em reservas e nas propriedades. Recentemente, áreas experimentais do Iapar foram prejudicadas por esses cortes clandestinos. Além do prejuízo, o roubo de palmito comprometeu os resultados da pesquisa.

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