O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já emitiu os laudos de impacto ambiental de três das sete fazendas onde o Ministério da Agricultura e Abastecimento (Mapa) confirmou a existência de focos de febre aftosa. Com os estudos, a Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) e o próprio Mapa ficam liberados para iniciar o abate sanitário dos rebanhos, ainda sem previsão para acontecer. As outras cinco propriedades - todas no Norte do Estado - devem ser visitadas até a próxima sexta-feira.
As primeiras fazendas visitadas foram as de Maringá (Cesumar e Pedra Preta) e de Bela Vista do Paraíso (Flor de Café), 40 km ao norte de Londrina, onde os técnicos estiveram ontem pela manhã. De acordo com o chefe regional do IAP, Ney Paulo, os locais para a construção das valas sépticas onde o gado será enterrado já foram definidos nestas propriedades. ''O laudo já está disponível'', informou.
A comissão responsável pelos estudos, composta por membros do próprio instituto e da Superintendência de Recursos Hídricos e e Saneamento Ambiental (Suderhsa), visita as propriedades de Grandes Rios (110 km ao Sul de Apucarana) na próxima quinta-feira. A avaliação nas fazendas de Loanda (102 km a Oeste de Paranavaí) acontecem no dia seguinte.
Com os laudos, a Seab e o Mapa ficam liberados para iniciar a construção das valas e o abate de um total de cerca de 6,5 mil cabeças. O governador Roberto Requião liberou inclusive os recursos para pagamento dos gastos com o serviço. Ainda assim, não há prazo definido para início do abate. Na Fazenda Flor de Café, visitada ontem pelos técnicos do IAP, o proprietário Alexandre Turquino afirmou que cerca de 80 animais estão sujeitos ao sacrifício. ''Comparado aos outros locais, a área para o abate do nosso gado será pequena'', disse, em referência ao rebanho teoricamente contaminado de fazendas como a Cachoeira, onde cerca de 1,7 mil cabeças devem ser abatidas.
Segundo o superintendente regional do Mapa, Walmir Kowalewski de Souza, aspectos legais impedem o início do serviço. ''O Carioba (André Carioba, dono da Fazenda Cachoeira, com foco confirmado pelo Mapa há 90 dias), precisa retirar a liminar que exige o pagamento antecipado de 50% da indenização (estimada em R$ 1,2 milhão)'', explicou. O pecuarista não foi encontrado pela reportagem, mas em entrevista concedida anteontem à Agência Estado, disse ter a intenção de retirar a ação. O advogado de Carioba, Ricardo Jorge Rosa Pereira, não atendeu às ligações da reportagem.
Por ter sido a primeira propriedade a ter focos cofirmados pelo Mapa, a Fazenda Cachoeira deve ter prioridade na realização do abate. O cronograma de sacrifícios e do pagamento de indenizações, no entanto, também não foi confirmado pelo superintendente do Mapa. ''Dependemos de uma posição do Ministério'', afirmou Souza. Os recursos para pagamento das indenizações, ainda de acordo com o superintendente, devem sair do próprio governo federal e do Fundo de Desenvolvimento Pecuário (Fundepec).

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