IA nas empresas: fim da novidade inaugura novos desafios
Evento que ocorre entre os dias 21 e 23 de julho em Londrina vai debater a 2ª fase da inteligência artificial
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Evento que ocorre entre os dias 21 e 23 de julho em Londrina vai debater a 2ª fase da inteligência artificial

Contratar ferramentas modernas de IA (Inteligência Artificial) já não é mais o diferencial competitivo. Hoje, um dos maiores desafios do empresariado hoje quando se fala em inovação, é fazer com que esses sistemas conversem entre si. No dia a dia das organizações, a falta de processos automatizados e a desorganização de dados impedem que o marketing se alinhe às vendas, que o atendimento retroalimente a gestão e que a IA saia do papel para gerar eficiência real.
Para transpor essa barreira operacional, Londrina recebe, na próxima semana, um evento de tecnologia baseado em palestras e networking que se propõe a movimentar uma grande arena de construção de soluções na qual as empresas apresentam desafios reais e especialistas atuam no desenvolvimento de projetos. O Hackathon Martech 2026 acontece no Boulevard Shopping Londrina, entre os dias 21 e 23 de julho.
“Durante o evento, vamos trabalhar essas soluções, vindo com a metodologia de dados e trazendo uma camada de tecnologia mais avançada para que a gente saia do primeiro e do segundo dia já com uns MVPs, com as versões iniciais dessas soluções já aplicadas”, explicou o CEO da BW8 Martech e idealizador do hackathon, Wilian Crizostimo. MVP é a sigla em inglês para Produto Mínimo Viável e se refere à versão mais simples e funcional de um produto baseado em IA, desenvolvido para resolver o problema central do cliente, testar hipóteses de negócio e coletar feedbacks reais antes de se fazer grandes investimentos.
As empresas interessadas em participar da arena deverão se inscrever previamente e entre elas, oito serão selecionadas. Equipes multidisciplinares formadas por profissionais de tecnologia, marketing, vendas, dados, automação e IA terão um prazo de 48 horas para desenvolver as soluções, que serão apresentadas a uma banca de especialistas e ao público presente. Enquanto a arena acontece, os demais participantes poderão acompanhar toda o processo.
Paralelamente, haverá palestras e debates sobre IA, automação, marketing, vendas e transformação digital, reunindo empresários, executivos e profissionais que atuam na liderança de projetos de inovação no país.
Crizostimo observou que entre as empresas com dificuldades na implementação das ferramentas de IA existem “pequenos focos” dentro dos departamentos. Enquanto algumas pessoas têm amplo domínio da tecnologia, outras estão desconectadas. “Você não consegue trabalhar de uma forma integrada entre as áreas e a consequência disso é que o empresário não investe em solução de IA porque não consegue provar o retorno.” Atualmente, ainda é muito baixo o índice de empresas que acreditam ser capazes de mensurar o ganho financeiro com o uso de IA, disse o CEO.
“É aqui que a gente precisa ajudar, e muito. Não ter iniciativas isoladas dentro do departamento. Todo o departamento deve consumir a tecnologia e em caso de troca de equipe, que isso se perpetue. Além disso, é preciso conectar essas áreas. É possível usar ferramentas de IA sem investir muito dinheiro, mas precisa saber onde investir e ser criativo.” Segundo Crizostimo, há casos de empresas que conseguiram criar boas soluções com investimentos abaixo de R$ 1 mil por mês.
Aplicação
A IA é aplicável e permite boas soluções com excelentes retornos a empresas de todos os segmentos. Um exemplo é a Fusan (Fundação Sanepar de Previdência e Assistência Social), que transformou a IA em um dos pilares de sua estratégia de modernização. Na entidade, que administra mais de R$ 3,2 bilhões em patrimônio previdenciário, a tecnologia começou a ser utilizada para aumentar a eficiência operacional, aprimorar a gestão e oferecer uma experiência mais personalizada aos assistidos. “A IA permitirá conhecer melhor o participante, apoiar a gestão dos investimentos, fortalecer o controle de riscos e tornar nossos processos mais eficientes. Estamos diante de uma transformação comparável à digitalização do sistema financeiro”, analisou o presidente da Fusan, Rafael Stec.
Os resultados já são visíveis. Processos de atualização cadastral que antes levavam cerca de dois minutos para serem concluídos, agora demoram em torno de dez segundos. Solicitações de resgate tiveram o tempo médio reduzido de dez minutos para dois minutos e alterações de contribuição, que antes exigiam um dia inteiro para serem processadas, agora ficam prontas em um prazo de uma hora. Esse ganho de produtividade foi possível a partir da automação de etapas operacionais.
Com a ajuda da IA, houve uma maior celeridade de algumas atividades, como conferência de documentos, organização de informações, produção de conteúdo, análise de campanhas e tratamento de grandes volumes de dados. Além do aumento de produtividade das equipes, a Fusan observou uma maior capacidade analítica e queda nos custos operacionais, permitindo que profissionais concentrem esforços em atividades de maior valor agregado. “Os algoritmos conseguem analisar milhões de informações em poucos segundos, mas decisões envolvendo patrimônio, responsabilidade fiduciária e confiança continuarão dependendo das pessoas. A Inteligência Artificial amplia a capacidade dos gestores; não substitui seu julgamento”, frisou Stec.
A próxima etapa da estratégia será ampliar o uso da IA, com extensão à área de investimentos a partir de ferramentas de apoio à análise de portfólios, identificação de riscos e processamento de informações econômicas em tempo real. Além da inovação, o uso da tecnologia é visto como uma forma de abrir vantagem competitiva sobre outras empresas de fundos de pensão.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


