Num resultado ‘‘caseiro’’ e polêmico, a Hyundai Motor, maior fabricante de automóveis da Coréia do Sul, ganhou ontem o terceiro leilão realizado para a aquisição das montadoras falidas Kia e Asia, também sul-coreanas. A Hyundai Motor é uma unidade do grupo Hyundai, maior conglomerado de empresas do país. A Kia Motors era a segunda montadora do país quando quebrou. Juntamente com a Asia Motors, sua afiliada, ela entrou em colapso em meados do ano passado, marcando o início de um processo de falências generalizadas que caracterizou a entrada da Coréia do Sul na crise financeira asiática.
Kia e Asia haviam ganho fortes incentivos para começar a produzir no Brasil e, com as dificuldades, paralisaram o projeto. Embora quebradas, as duas empresas só não entraram em liquidação porque o governo da Coréia do Sul praticamente as nacionalizou, socorrendo-as com dinheiro do Korean Development Bank - uma espécie de BNDES sul-coreano, hoje o maior acionista das duas empresas.
A norte-americana Ford, única companhia estrangeira no leilão, era tida como favorita até ontem, mas teve sua proposta rejeitada. A Ford teria exigido que os credores abram mão de uma parte muito alta dos cerca de US$ 9 bilhões que as duas companhias devem. ‘‘Estamos desapontados porque oferecemos a melhor proposta’’, disse o diretor de relações públicas da Ford para o continente asiático, Ken Brown. A Ford e sua afiliada japonesa Mazda já são acionistas da Kia (possuem 17% das ações da companhia), e uma vitória no leilão permitiria a elas um aumento substancial em seus negócios na Coréia do Sul, país estrategicamente colocado, tendo em vista a proximidade com a China, mercado consumidor de carros que mais cresce no mundo. O presidente da Hyundai Motor, Chung Mong-kyu, afirmou que convidará outros investidores a tomarem parte do processo. Apesar de ter participado e ganho o leilão, a Hyundai Motor também passa por enormes dificuldades financeiras.

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