Duzentos e vinte e oito operários da Hussmann, indústria norte-americana instalada em Londrina há mais de 10 anos, tiveram ontem uma desagradável surpresa. Ao chegar ao trabalho foram informados que a unidade da empresa que fabrica equipamentos de refrigeração e movelaria de supermercado está encerrando as atividades. A medida atinge também 33 funcionários do escritório da Hussmann em São Paulo. Permanecem em funcionamento as divisões que fabricam ar condicionado e compressores, que empregam cera de 150 pessoas.
O Sindicato de Trabalhadores na Indústria Metalúrgica de Londrina também foi surpreendido. De acordo com o diretor Valdir de Souza, a entidade só soube do fechamento da empresa na manhã de ontem quando alguns funcionários procuraram orientações. ''A representante do RH (Recursos Humanos), Mercedes Lepri, veio ao sindicato às 9 horas para nos informar sobre o ocorrido'', afirma.
''Estamos todos indignados com a atitude da empresa que em nenhum momento nos procurou para negociar e tentar uma solução menos danosa aos funcionários'', critica. Segundo ele, o sindicato pretendia ontem mesmo denunciar o caso ao Ministério Público do Trabalho.
Na manhã de ontem, o grupo Ingersoll Rand, sediado em Montvale (New Jersey-EUA) da qual faz parte a Hussmann do Brasil, emitiu nota informando que está encerrando definitivamente a produção de equipamentos de refrigeração e de gôndolas e vitrines frigoríficas. Segundo a nota, a medida foi tomada com base em relatórios do terceiro trimestre, divulgados em outubro e que forçaram a reestruturação das atividades no mercado. A empresa acrescenta que o mercado brasileiro foi afetado o que inviabiliza a continuidade dessa linha de produtos. A nota informa ainda que as outras atividades da empresa no Brasil não serão afetadas.
''Esta decisão não foi tomada de modo fácil, principalmente porque afeta nossos empregados e as comunidades onde temos uma longa história'', diz Jorge Medina, gerente geral da empresa na América Latina. Segundo a nota, a empresa se compromete a garantir todos os direitos dos empregados demitidos e as verbas rescisórias deverão ser pagas em meados de janeiro.
Para Walter Orsi, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas de Londrina (Sindimetal) o fechamento da Hussmann causa extrema preocupação no setor. ''Além da perda de postos de trabalho, e de uma empresa que deixa a cidade, perdemos uma empresa de vanguarda, que é modelo para atividade na região'', afirma.
No final da tarde de ontem, Valdir de Souza, do sindicato dos trabalhadores, informou à FOLHA que protocolou um pedido de reunião com a Hussmann e o Ministério Público do Trabalho (MPT) para garantir o pagamento das verbas recisórias dos metalúrgicos demitidos. A reunião não ocorreu ainda ontem porque o Ministério estava analisando um outro caso de demissão. ''Estamos pedindo essa intervenção para tentar assegurar nossos direitos'', desabafou. (Colaborou Renato Oliveira)

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