Hubert admite 'drible' de licitação
O presidente da Copel e secretário da Fazenda, Ingo Hubert, afirma que a composição societária da Tradener foi feita analisando a especialidade de cada empresa. Por isso foram convidadas a compor a sociedade a Logos Engenharia e a D.G.W. Participações. Ele diz que era necessário fazer uma empresa privada, onde a Copel seria minoritária, para fugir das amarras da Lei de Licitações (8.666). A entrevista de Ingo Hubert foi concedida à Folha, há duas semana, no dia em que o governo divulgou o edital de privatização da Copel.
Folha - Por que a Copel criou a Tradener em parceria com um grupo privado?
Ingo Hubert - Todas as nossas parcerias foram privadas. Não temos interesse em criar empresas estatais, porque aí estaríamos transferindo para a empresa os mesmos problemas que nós já tínhamos. Ou seja, qualquer compra tem que ter a lei 8.666 (Lei de Licitações). As nossas parcerias deram certo, porque todas elas foram por definição privadas.
Folha - Como foi feita a escolha das empresas que seriam sócias da Copel na Tradener?
Hubert - Em todas as nossas parcerias procuramos escolher parceiros que agregassem valor ao empreendimento. Quando fizemos usinas procuramos trazer empresas que sabiam alguma coisa de usina, que são empreiteiros que construíram usinas, empresas administradoras de usinas, operadoras de usinas. Assim fazíamos a composição. No caso da Tradener, nós buscamos dois parceiros. Um deles com conhecimento de modelagem estocástica através de uma série de modelos que já tinham sido desenvolvidos e que nos poupariam tempo. Levaríamos anos para desenvolver aqueles modelos que a Logos já tinha. Foi fator de agilização.
Folha - E a D.G.W.?
Hubert - A D.G.W. é uma empresa que apenas concedeu o 'recebe', ou seja, está nos trazendo para a sociedade o modelo elétrico brasileiro, com as resoluções, com o 'modus operandi', com o conhecimento de tudo aquilo que condicionava o mercado atacadista brasileiro. Então, a associação com quem tinha o excedente de energia que é a Copel, com quem tinha o modelos matemáticos que é a Logos, com quem conhecia o 'modus operandi' e as resoluções que é a D.G.W. deu uma liga perfeita. E note que a Tradener é empresa que lida com novidades. Nada do que ela faz já existia.





