O HSBC, um dos seis bancos que havia pedido para se pré-qualificar ao leilão do Banestado, desistiu de comprar a instituição financeira. A informação foi confirmada ontem pelo presidente do Banestado, Reinhold Stephanes. A lista com os demais bancos capacitados para a privatização vai ser divulgada hoje pelo Banco Central. A informação obtida ontem era de que Itaú, Bradesco, ABN, Unibanco e Santander poderão disputar o banco paranaense, que será vendido no próximo dia 17 de outubro.
A desistência do HSBC aconteceu dias após o banco ter entregue a proposta para se pré-qualificar. A diretoria do banco entendeu que poderia ter de enfrentar uma onda de questionamentos por ter recém comprado o banco Credit Comercial de France (CCF). Junto com o banco Fator, o CCF fez todo o trabalho de avaliação e modelagem do Banestado (advisers) para a privatização. ‘‘Poderia haver discussão judicial e por isso o HSBC se retirou’’, explicou.
Stephanes ressaltou ainda que os cinco bancos restantes apresentam todas as credenciais para comprar o banco, afinal são os mesmos que têm interesse na emperrada privatização do Banespa. Stephanes disse ainda não acreditar que o Sindicato dos Bancários terá êxito na ação que pretende mover pela inclusão de bancos estrangeiros na privatização. Ação semelhante corre na Justiça paulista contra o Banespa e já deu liminares favoráveis ao Sindicato de São Paulo.
Tanto o governo quanto o presidente do Banestado fazem críticas à forma como o Sindicato dos Bancários se mobiliza para tentar bloquear judicialmente a privatização. Stephanes considerou ‘‘muito simplista’’ o raciocínio dos diretores do sindicato de que os créditos tributários do Banestado sejam computados no valor final de venda. ‘‘Tem que ser analisada a capacidade de se usar esses créditos pelo banco que comprar o Banestado.’’
Stephanes confirmou que o preço mínimo do banco será mesmo de R$ 434 milhões, como foi informado na segunda-feira, considerado por ele como o correto. Ele informou que o preço mínimo difere do Patrimônio Líquido por R$ 20 milhões. ‘‘O banco está sólido e nada pode mudar seu percurso. Nem mesmo uma federalização altera a rotina do banco’’, afirmou Stephanes. Ele disse ser muito precipitado falar em ágio, mas há uma tendência de se ter um preço ‘‘bom’’.
BanespaO governo federal obteve ontem no Supremo Tribunal Federal a primeira vitória importante para conseguir privatizar o Banespa ainda este ano. Por sete votos a quatro os ministros do Supremo rejeitaram, em parte, a Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo PT. O governo pode agora recorrer aos tribunais superiores contra liminares expedidas em primeira instância, mesmo que elas tenham sido confirmadas em segundo grau pelos tribunais inferiores.

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