Nesta sexta-feira completam dois anos que o grupo inglês Hong Kong & Shangai Bank Corporation (HSBC) assumiu o controle do banco Bamerindus. Para ‘comemorar’ a data, a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Paraná - Fetec/PR, divulgou nota criticando a postura adotada pelo grupo inglês à frente da antiga estrutura do Bamerindus, afirmando que, apesar de um balanço positivo, o HSBC apresentou ‘‘saldo negativo’’ nas relações com funcionários e clientes.
Ao chegar ao Brasil, os ingleses prometeram manter a sede do grupo em Curitiba, ampliar o número de agências e não fazer demissões em massa de funcionários. Hoje a sede do HSBC foi transferida para São Paulo, foram fechados 520 pontos de atendimento, entre agências e postos e 3.382 funcionários foram demitidos no período, de acordo com levantamento apresentado pela Fetec/PR.
A operação de venda do Bamerindus para o HSBC feita pelo Banco Central ainda é questionada pelos pequenos acionistas, que brigam na Justiça pela manutenção de suas ações, excluídas do ativo do banco pelos novos proprietários.
As mudanças na estrutura do banco incluíram também o desaparecimento do nome Bamerindus desde o final do ano passado. Com o ‘‘enxugamento’’ do banco nesse período, o grupo conseguiu aumentar em 228% a lucratividade em relação a 97. No ano passado, o HSBC teve um lucro líquido de R$ 114,7 milhões.
A Fetec/PR acusa o HSBC de desvalorizar seus funcionários ao extremo, cortando benefícios de mais de uma década, como o caso da bolsa educação, que era um auxílio a funcionários que estivessem fazendo cursos universitários e que foi extinto de hora para outra. A entidade dos trabalhadores diz ainda que o banco forçou funcionários a trabalhar aos sábados em algumas ocasiões, ‘‘num total desrespeito à jornada de trabalho dos bancários brasileiros’’. Nos dias 8 e 9 de abril, os funcionários do HSBC farão uma reunião em São Paulo para discutir a perda dos benefícios e existe a possibilidade da realização de paralisações. A Folha tentou ouvir a direção do HSBC, mas a chefia da assessoria de comunicação não foi contatada em função de compromissos externos.

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